quarta-feira, 16 de abril de 2014

Não sabemos do próximo segundo

E estava eu tranquilo no carro, mesmo com o trânsito estafante, calor insuportável apesar do ar condicionado ligado ao máximo, ouvindo um disco de bossa nova antigo de Tom e Elis que ganhei de uma atriz amiga e fumando dentro do carro fechado. Deixei para trás o pensamento de que um dia largaria o cigarro; rendi-me a ele, meu companheiro de solidão, de desabafo do stress. Eu estava cansado após mais um dia de trabalho, mas satisfeito pelas tarefas cumpridas. Uma manhã de gravação, uma tarde de roteiro escrito e já editado, de uma peça que quero dirigir ainda este ano. Recebi dois convites para trabalhos novos e um convite para participação em um filme norte americano meio cult, com direção do Tarantino. Como as pessoas gostam de ser “Cult”. Tarantino já deixou de ser  a muito tempo, mas volta e meia vem com seus alternativos. Gosto muito do underground, apesar de ser tão popular; olha só: sertão popular! Rio de mim mesmo. As vezes nem lembro que sou cearense, apesar de adorar o Ceará. Virei cidadão do mundo., que coisa impressionante! Aliás, nunca soube porque sou tão popular. Claro que fiz papéis que o povo se identificou, mas não foi minha intenção buscar os olhares do povo, apesar de me sentir do povo. AAi! Queimei minha mão com a brasa do cigarro! Agora sim, um dia ainda largo essa coisa! Preciso caminhar, ir para uma academia, já não sou mais menino, aliás, já estou chegando aos setenta. Meu Deus! Setenta! Nunca pensei que essa idade chegaria para mim. Mas ainda não chegou e me lembro da música dos Beatles, onde Paul, com vinte e poucos anos canta “When I’m sixty-four”. Ele pergunta assim na música, como é mesmo?: “Quando eu ficar mais velho, Perdendo meu cabelo Muitos anos adiante, Você ainda irá me mandar presentes no dia dos namorados? Saudações no aniversário, garrafa de vinho?” Eu escutei esta música quando foi lançada e hoje tenho mais de sessenta e quatro; perdendo os cabelos, ficando sem fôlego, tossindo, pagando uma fortuna de plano de saúde. Mas, puxa vida, não me sinto velho, estou no meu auge de criatividade. Cadê o cigarro, deixei aqui no porta luvas! Puxa! Deixei o pacote no bagageiro! Como vou parar o carro neste engarrafamento? Comprei uma esteira mas não aguento dez minutos, o peito arde de dor. É o cigarro, que não me larga! Acendo mais um e aceno para os fãs que me reconhecem mesmo com o vidro do carro escuro e fechado. So tem mais um cigarro e falta mais quarenta minutos para chegar em casa. Vou aproveitar o sinal fechado e pegar o cigarro lá atrás. Não, olha ali um cara vendendo água, vou comprar aquele maço de cigarros dele. Abaixo o vidro e grito: “Ei, você!!” –Quem, eu? Sim, me dá uma água e essa sua carteira de cigarros que ta pela metade aí no seu bolso. Toma aqui cinquentinha.” – “Cinquenta conto? Demorô, dotô!! Ei vc não é aquele cara, o Roque Santeiro?” “–Que Roque santeiro, p.!” respondi sorrindo e o vendedor saiu correndo com a nota novinha que eu tinha tirado no Projac pela manhã. Putz, agora que eu comprei esse cigarro fedido e caro o trânsito anda.... Doido para chegar em casa e tomar um banho! Pronto, ainda bem que o estacionamento do meu prédio é enorme, tenho três vagas, para não me estressar. Que tosse! Nem sei se vou sair hoje, acho que vou ouvir este CD da Elis mais umas duas vezes, pedir um delivery qualquer e dormir cedo. Oba! ninguém no elevador para encher o saco com meu cigarro! A empregada já foi embora e o apartamento está limpinho, vou procurar meu roupão branco que pedi para ela deixar em cima da cama. Que isso??? Que tontura é essa?! parece que tô desligando! The End!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

ADVOCACIA

Todos merecem defesa, seja qual for o crime, seja qual a cor, seja qual for a situação, seja qual time que torce. Nos porões das penitenciárias existem hoje pessoas arrependidas que tem o caráter atrofiado pelo inferno que é a falta de liberdade e a companhia dos que não sabem viver outra vida, em um sub-mundo, um mundo paralelo, inimaginável para a maioria das pessoas ditas normais, que em alguns casos, padecem de vícios, por vezes muito maiores que os que alí estão. Fui criminalista na essência, ainda está dentro de mim e revivi todo esta minha vocação ontem. Me formei em 1994, então, estarei fazendo este ano, 20 anos de advocacia. Com muita honra, na turma de 1994, de ilustres profissionais, como Rosane Magalhaes, Batista João, Abner Guedes, Elcimar Almeida de Paula, Elindomar Alves, Neilando Pimenta, Tercia Rodrigues Vieira Vieira, Patrícia e Ingrid Guedes Barrack, João Marcos Zimerer , que nos deixou ainda no primeiro ano. Tive ilustres professores. Tive a honra de ter estagiado por tres anos com Wander Lister Carvalho Sá, um dos maiores mestres em advocacia e humanidade que ja conheci. Sim, me lembro que ha treze anos atrás, fiz um Juri em santana do Araguaia que concluiu as 2 da madrugada e no final, um dos policiais se dirigiu a mim, com lágrima nos olhos dizendo: Doutor, hoje eu descobri minha vocação, serei advogado do Tribunal do Juri.

MANUELZÃO

Manoel Vieira, meu pai, não é um personagem mas poderia ser; tantas histórias são contadas que não parecem verdadeiras, mas são; e se não são, nem importa mais.Hoje estou aqui em Janaúba com ele. Libertário, contrário a opressão, tricolor que grita com cada jogada do seu time. Me deu plena liberdade de ser atleticano, e nem poderia ser contra.Era avesso aos ditadores que se implantaram no Brasil, deu liberdade para sermos o que quiséssemos, quando estávamos na sua casa (sob a sua batuta) " Você pode ser isto, mas não aquilo, pode ser aquilo, mas não isto" " Faz o que eu mando e esquece o que vc sabe!" Eita ferro, melhor escutar isso do que ser surdo (rs). Saí de Padre Paraíso não por necessidade, poderia estar exercendo meu ofício em minha terra natal, sendo valorizado, como sou em Parauapebas. Mas eu senti necessidade de ser Olinto, fazer um caminho meu. E com a personalidade forte dele, eu pensava que seria Olinto de Manoel Vieira , como sou até hoje. Olintão de Manoel Vieira, com muita honra. As vezes nos rebelávamos mas ele foi um rebelde sem causa quando menino ( e parece que ainda hoje é). Resolvemos todas as 'paradas' de pai e filho. Tive a felicidade de ser um instrumento de ligação espiritual dele com o Sagrado, graças a autorização de um grande e querido amigo Victor Sabbagh. E ao contrário do que pensam alguns, Manoel Vieira não é um matutão. É um Mestre maçom, com conhecimentos da Grande Ordem. Nada contra os matutos pois me considero um deles, por minha origem, do Geraisão, das histórias pitorescas e únicas. Quando penso que as histórias dele acabaram, vem uma pessoa e me chega com uma história engraçada, humana, original, dele. É meu pai, e sou o filho mais velho, o mais esperado, o que ganhou o nome do pai dele. Os outros vieram muito bem esperados também, mas quem abriu os olhos primeiro , dos filhos, na família fui eu, fazer o que? Um dia a Pastora Vanderly De Jesus, que mora nos Estados Unidos me contou que Manoel Vieira teve uma pequena participação na ida dela para os Estados Unidos, onde ela tem uma bonita família e uma história de vida dedicada a Deus. Um dia escrevo as memórias deste moço, pois se Guimarães Rosa estivesse vivo, ele teria outro Manuelzão!!

ERRAR FAZ PARTE DO SUCESSO

Certamente, você já passou algumas vezes pelo sentimento da frustração da derrota, ou até mesmo do fracasso. Eu também. Com trinta anos de idade depois de oito anos de uma fecunda experiência como professor universitário, fui contratado para meu primeiro seminário para executivos, na FGV. Trágica experiência. Nota final de avaliação muito abaixo do mínimo aceitável. Meu Coordenador foi implacável: “ou chega nestes padrões no próximo curso ou rua”. Tinha o caminho de chorar, buscar culpados, mas sei lá porque resolvi aceitar o desafio. Telefonei para os alunos, me reuni com alguns, assisti aulas de dois excelentes professores e cheguei a uma lista de cerca de cinqüenta erros. Tentei corrigir todos. Próximo curso: resultado acima do ideal. Uma pequena historia para motivar aqueles que estão hoje passando por um momento difícil. Errar, principalmente, neste mundo louco de hoje, faz parte do processo, é experiência integrante da vida. Para compreender melhor, pense alguns segundos antes de responder: “O grande vencedor da vida tem mais derrotas ou menos derrotas do que o grande perdedor da vida?”. Pensou. Pois é isto mesmo o grande vencedor da vida tem mais (aliás muito mais derrotas) do que o perdedor da vida. Na trajetória do sucesso não interessa o número de derrotas, mas sim o que se faz com elas. Os grandes triunfadores encaram os momentos difíceis de forma diferente. Para eles, problemas e até fracassos são degraus de aprendizado para as vitorias do futuro. Muitas vezes, nosso grande líder Bernardinho afirma: “Foi bom perder; só assim podemos descobrir alguns erros para nossas próximas conquistas”. Henry Ford de maneira brilhante nos ensina: “O fracasso é apenas uma oportunidade para recomeçar de maneira mais inteligente”. Thomas Edison foi ainda mais profundo e afirmou: “Eu não errei dez mil vezes tentando inventar a lâmpada elétrica. Eu descobri dez mil maneiras pelas quais ela não deveria ser feita”. Portanto, se você cometeu um erro, e se sente pagando o preço amargo da derrota, faça uma profunda avaliação dos fatos vivenciados. Fuja da desculpa verdadeira, aquela armadilha enganosa que nos isenta de qualquer responsabilidade e busca outros culpados. Lembre-se de Levis Minzer que afirmou: “Quando você aponta um dedo acusando alguém, três dedos se voltam na sua direção”. Use estes dedos para checar onde você efetivamente poderia ter feito de maneira diferente. Ao mesmo tempo, mesmo colocando sobre si sua real responsabilidade, não se sinta negativamente culpado. Coloque no seu modelo mental. “Tentei, mas errei, e isto faz parte da vida”. Converse com seu chefe e até seus companheiros sobre sua vontade de melhorar. Não se deixe abater. As pedras são comuns no caminho dos vencedores. Não é a toa que o brilhante erudito Max Weber nos ensinou: “O homem não teria alcançado o possível se diversas vezes não tivesse tentado o impossível”. No campo pragmático, no mundo de hoje o impossível só será vencido, através de um difícil jogo onde o saldo final será um enorme beneficio, mas também, um alto custo.Por paradoxal que possa parecer o erro faz parte do sucesso. ( Marco Aurélio Ferreira Viana)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

BOA FORTUNA!

Preocupado em ganhar a mega-sena da virada, meu amigo se questionou qual é o critério da sorte. Porque uns ganham e outros não? Será qual o motivo dessa virada do destino na vida de cada um? Eu digo que as vezes a gente pensa que ganha, mas perde. As vezes a pessoa pensa que perde e ganha mais do que uma mega-sena sozinho. Saber perceber o que se tem é uma raridade no mundo de hoje e a maioria dos problemas que temos, pensamos que o dinheiro consegue resolver. Não é bem assim. Quantas noites mal dormidas, ou dormindo o sono de plástico dos remédios que hipnotizam e fazem a pessoa acordar mais cansado do que quando foi dormir. Quanto vale o sono do corpo cansado e a mente tranqüila, que acorda revigorado para mais um dia de trabalho animado? Gratidão pela vida é o que posso sentir neste início de ano, pois o que passou Fo de superações, de vencer dificuldades. Mas as vezes o desânimo alheio contagia, contamina,. Sei que as coisas são difíceis mas e aqueles momentos que são de felicidade extrema, não contam? E aqueles dias em que você acordou pensando ser mais um dia qualquer e acontece algo que o torna inesquecível, de tão bom? As vezes passamos a vida a procurar coisas especiais, milagres, mágicas transformadoras e não percebemos que a mega-sena da virada é saber aproveitar aquele momento precioso, único. Saborear até o derradeiro gole de água em um dia super quente, sentir o bater do coração apressado do seu filho, em um momento de alegria ou o seu mesmo pulsar, em momentos inenarráveis, só seu! Cada um tem a felicidade que merece, pois a vida reserva tudo para nós. Este mundo todo é meu e seu. Arranjar coragem para perceber esta verdade é que poucos tem e digo isso para mim mesmo. Por vezes preferimos ruminar o que um desafortunado nos fez de mal do que abraçar o amigo que pouco se importa com a quantidade de reais que trazemos no bolso. Quanto vale aquela conversa que temos com os filhos, ensinando as coisas básicas da vida, que a gente já não nasce sabendo e precisa de um pai ou mãe de verdade para ensinar? As crianças, mesmo as de hoje, em sua grande maioria não estão preocupadas no dinheiro fácil e sim nas mais singelas coisas que qualquer criança de qualquer tempo. O que as estraga são os maus exemplos das pessoas perdedoras, competidoras, ambiciosas e invejosas. O maior inimigo de um filho pode ser o próprio pai, que lhe abre, sem querer (ou querendo) a porta para ser um mundo onde o cifrão tem mais valor que uma conversa. Neste ano, não me importa o que eu perdi e sim a experiência adquirida no ano que passou, esta é a verdadeira fortuna. E que a Luz que guiou os Reis Magos ao encontro de um Menino Iluminado possa também nos guiar até nosso mais precioso tesouro, e que saibamos reconhecer que este tesouro pode estar em um lugar ainda mais simples que uma manjedoura ou um estábulo. Que possamos abrir a porta de nossa casa para aqueles que valham a pena nela entrar. Que não encontremos as portas fechadas e que elas estejam sempre abertas, quando procurarmos, acompanhados de um sorriso e de um abraço: Feliz 2014!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

MEU CAVALO ALAZÃO SO ME FAZ CARINHO

“Meu cavalo Alazão só me faz carinho...” Eu, que cresci avesso as coisas do campo, perdi o que de melhor uma criança pode ter, que é observar o olhar carinhoso dos animais, apesar de sempre ter convivido com eles. Não me alertei a perceber o quanto carinhoso é um carinho de um animal, indefeso, gratuito pelo ser humano. O que é isto se não for amor, que sentimento é este que só percebo agora, distante deles, apenas lembrando no quanto perdi, na naturalidade que é o sentimento de um bicho e de um menino. A gente cresce, mas será que cresce mesmo? Tantas coisas a gente perde com este crescimento, a inocência, a ingenuidade. O que a gente ganha? Malícia? Indignação com os descaminhos da vida? Não, há de ficar algo rico dentro de nós, algo de um menino, temos que lutar para que o menino que vivia em nós não morra com as batalhas sangrentas do dia a dia. Temos o dever de ensinar a nossas crianças a ser cada dia mais crianças com os pés no chão, literalmente. Que saibam no tempo certo o que significa o dinheiro. Essa mola do mundo que endurece as pessoas. Não quero ir a Disney ou coisas do tipo, nada contra. Quero ver os olhos de minha filha brilharem quando eu contar uma bela história de um final feliz, com um aprendizado moral. Quero ver o meu filho sentir o quanto é bom SER antes de TER. “Sem querer fui entrando num desespero”, de achar que ninguém mais percebe as coisas simples da vida e meu peito doeu, porque sinto que não estou sendo sincero como devo ser. Não precisamos entrar no redemoinho criado pelo mundo de tantas complicações, tanta vileza. Há vilões por todos os lados e os heróis são pré-fabricados. Preparam-se heróis, assim como se engordam frangos para vender e aceitam-se esses heróis da mesma forma como fabricam-se Judas para que sejam eles os culpados dos fracassos do mundo. O ser humano criou a necessidade de continuar criando “arenas”, de continuar chicoteando, de continuar descontando no outro a surra que tomou, de acreditar em mentiras e verdades, todas falsas. Enquanto isso, o caboclo lá da roça, passa horas acarinhando seu cavalo e ele, de olhos fechados, sente o afago e cresce o amor por seu amigo. E o mundo lá fora pegando fogo, incendiando, enquanto os verdadeiros heróis, nem precisam se esconder, estão por aí, invisíveis, imperceptíveis, insignificantes. Lembrei-me, criança, ouvindo Paulinho Pedra Azul cantando “Pobre Bichinho” e ouvi semana passada, num belo lugar, um caboclo revivendo esta música; tristemente lembrei que nem tive lágrimas para chorar. Velho mundo novo!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sorriso de Face

Sorriso de face é aquele que não dura, so dura tres segundos e a tristeza não segura. Sorriso de face é aquela maquiagem que a água lava tudo e o resto vai pro ralo e daí pra outro canto, o que fica é o real. O real é o que há, o que ha é natural. O amor existe mesmo mas ele convive bem com tristeza e amargura pois sempre é superior. Como é superior o sorriso do face, quando ele é real, quando quero estar bem, quando tenho que estar mal. Igual um zé qualquer, que no fundo é o que sou, por isso é que sou mais um, meio bobo sofredor, que também tem alegria, que também tem celular, que também de vez em quando tem sorriso glacial, enganando o coração, enganando o pessoal, pois ninguem quer ta passando uma imagem de mau.

domingo, 10 de novembro de 2013

TEOLOGIA MORAL DA MANGA

"O velho caipira, com cara de amigo, que encontrei num Banco, estava esperando para ser atendido. Ele ia abrir uma conta. Começo de um novo ano... Novas perspectivas...E como não podia deixar de ser, também começou ali um daqueles papos de fila de banco. Contas, décimo terceiro que desapareceu, problemas do Brasil, tsunami... Será que vai chover?Mas em determinado momento a conversa tomou um rumo: "- Qual é então o maior problema do Brasil para ser resolvido? "E aí o representante rural, nosso querido "Mazaropi da modernidade" falou com um tom sério demais para aquele dia:" - O Maior Problema do Brasil é que sobra muita manga! Tentei entender a teoria...Fez-se um silêncio e ele continuou: " - O senhor já viu como sobra manga hoje debaixo das árvores? Já percebeu como se desperdiça manga? "Sim... Creio que todos já percebemos isto... Onde tem pé de manga, tem sobrado manga...E aí ele continuou: " - Num país onde mendigo passa fome ao lado de um pé de manga... Isso é um absurdo! Num país que sobra manga tem pouca criança. Se tiver pouca criança as casas são vazias... Ou as crianças que tem já foram educadas para acreditar que só "ice cream" e jujuba são sobremesas gostosas. Boa é criança que come manga e deixa escorrer o caldo na roupa... É sinal que a mãe vai lavar, vai dar bronca, vai se preocupar com o filho. Se for filho tem pai... Se tiver pai e manga de sobremesa é por que a família é pobre... Se for pobre, o pai tem que ser trabalhador... Se for trabalhador tem que ser honesto... Se for honesto, sabe conversar... Se souber conversar, os filhos vão compreender que refeição feliz tem manga que é comida de criança pobre e que brinca e sobe em árvore... Se subir em árvore, é por que tem passarinho que canta e espaço para a árvore crescer e para fazer sombra... Se tiver sombra tem um banco de madeira para o pai chegar do trabalho e descansar...Quem descansa no banco, depois do trabalho, embaixo da árvore, na sombra, comendo manga é por que toca viola... E com certeza tá com o pé na grama... Quem pisa no chão e toca música tem casa feliz... Quem é feliz e canta com o violeiro, sabe rezar... Quem sabe rezar sabe amar... Quem ama, se dedica... Quem se dedica, ama, reza, canta e come manga, tem coração simples... Quem tem coração assim, louva a Deus. Quem louva a Deus, não tem medo... Nada faltará porque tem fé... Se tiver fé em Deus, vê na manga a providência divina... Come a manga, faz doce, faz suco e não deixa a manga sobrar... Se não sobra manga, tá todo mundo ocupado, de barriga cheia e feliz. Quem tá feliz.... não reclama da vida em fila do banco... " Daí fez-se um silêncio..." Rubem Alves

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

MALEDICÊNCIA - NÃO FALE MAL DE NINGUÉM

No livro "A essência da amizade", encontramos um precioso texto de autoria de Huberto Rohden, que trata da velha questão da maledicência. Com o título de Não fales mal de ninguém, o referido autor tece os seguintes comentários: "Toda pessoa não suficientemente realizada em si mesma tem a instintiva tendência de falar mal dos outros. Qual a razão última dessa mania de maledicência? É um complexo de inferioridade unido a um desejo de superioridade. Diminuir o valor dos outros dá-nos a grata ilusão de aumentar o nosso valor próprio. A imensa maioria dos homens não está em condições de medir o seu valor por si mesma. Necessita medir o seu próprio valor pelo desvalor dos outros. Esses homens julgam necessário apagar luzes alheias a fim de fazerem brilhar mais intensamente a sua própria luz. São como vaga-lumes que não podem luzir senão por entre as trevas da noite, porque a luz das suas lanternas fosfóreas é muito fraca. Quem tem bastante luz própria não necessita apagar ou diminuir as luzes dos outros para poder brilhar. Quem tem valor real em si mesmo não necessita medir o seu valor pelo desvalor dos outros. Quem tem vigorosa saúde espiritual não necessita chamar doentes os outros para gozar a consciência da saúde própria." (...) "As nossas reuniões sociais, os nossos bate-papos são, em geral, academias de maledicência. Falar mal das misérias alheias é um prazer tão sutil e sedutor - algo parecido com whisky, gin ou cocaína - que uma pessoa de saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia." A palavra é instrumento valioso para o intercâmbio entre os homens. Ela, porém, nem sempre tem sido utilizada devidamente. Poucos são os homens que se valem desse precioso recurso para construir esperanças, balsamizar dores e traçar rotas seguras. Fala-se muito por falar, para "matar tempo". A palavra, não poucas vezes, converte-se em estilete da impiedade, em lâmina da maledicência e em bisturi da revolta. Semelhantes a gotas de luz, as boas palavras dirigem conflitos e resolvem dificuldades. Falando, espíritos missionários reformularam os alicerces do pensamento humano. Falando, não há muito, Hitler hipnotizou multidões, enceguecidas que se atiraram sobre outras nações, transformando-as em ruínas. Guerras e planos de paz sofrem a poderosa influência da palavra. Há quem pronuncie palavras doces, com lábios encharcados pelo fel. Há aqueles que falam meigamente, cheios de ira e ódio. São enfermos em demorado processo de reajuste. Portanto, cabe às pessoas lúcidas e de bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre, infelicitando e destruindo vidas. Pense nisso! Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas. Evitemos a censura. A maledicência começa na palavra do reproche inoportuno. Se desejamos educar, reparar erros, não os abordemos estando o responsável ausente. Toda a palavra torpe, como qualquer censura contumaz, faz-se hábito negativo que culmina por envilecer o caráter de quem com isso se compraz. Enriqueçamos o coração de amor e banhemos a mente com as luzes da misericórdia divina. Porque, de acordo com o Evangelho de Lucas, "a boca fala do que está cheio o coração". Pensemos nisso. Autor: Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro A essência da amizade, Editora Martin Claret, pp. 21-24, ed. 2001 e no capítulo 35 do livro Convites da vida, de Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Valeu Cristina!!!

Toda Cúpula decepciona?

Uma cúpula ou domo é uma abóbada hemisférica ou esferóide. Se a base é obtida paralelamente ao menor diâmetro da elipse, resulta-se em uma cúpula alta, dando a sensação de um alcance maior da estrutura. Tanto faz, quanto mais se conhece a cúpula, vê-se que não é tão bela ou límpida quanto parece. Há o que deve ser feito, há os que fazem o que podem, há os que cruzam os braços, só contemplando. Há os que se exaurem e há os que se reanimam.