Olhando para trás, vejo que eu NÃO
APRENDI NADA MESMO, sempre fui um
aprendiz nesta vida, até mesmo quando me chamam de mestre. Nunca me senti assim pois quem acredita sê-lo na realidade
não é e quem quer sê-lo vorazmente é muito menos do que imagina. As honrarias de qualquer espécie nunca me
fascinaram. Deslumbramento não faz parte de mim. As vezes até erro os mesmos
erros, o que não é inteligente mas não é proibido. Sou um humano que está
aprendendo a ser leal, mas ainda não sou. Sou um homem aprendendo a ser gente,
mas ainda não sou. Sou uma pessoa que vive neste mundo não apenas olhando as
pessoas, mas convivendo com elas. Sei que é perigoso conviver com o ser humano, mas é imprescindível para conhecê-lo e delimitar
a faixa amarela da confiança. Se alguém
ultrapassar e transgredir a minha paz, tudo bem. O mundo não acabará por isso.Conviver
com pessoas boas e outras nem tanto não
é tão difícil assim, basta ter uma índole de paz e um bom estômago, no caso eu
já nem tenho um tão grande assim, o que facilita as coisas. Mas não estou
dizendo com isso que não me enraiveço, não sou imune, apesar de não me ‘orgulhar’
disso. Mas é bom saber que não cultivo raiva de ninguém, isso me faz mais tranqüilo
em meio a um mundo de tantas intolerâncias e falsidades. Indignar-se, mais cedo ou mais tarde qualquer
pessoa está sujeito, e as vezes é até necessário, como o que estamos vendo hoje
nas ruas do Brasil. O que não quero é viver indignado, magoado e com os olhos
injetados de rancor malsão, mal escondido lá no fundo do coração. “Quero a
felicidade nos olhos de um pai”. Quero ser um homem bom e confiável, e mesmo
com tantos exemplos excelentes ao meu
redor, ainda não sou, tenho uma gama de defeitos, mas não desejo o mal de
ninguém. Devo, não nego, quem nesse mundo não é devedor? Pago, também, quem nesse mundo não é pagador?
Das qualidades? Não as conto, é minha obrigação ter algumas com a experiência que
a vida vem me dando. Confio e muitas vezes esta confiança é desonrada, faz
parte da vida, não me acabo por isso. O que não quero é ser o que não sou nem
viver o que não penso ou dizer o que não sinto. Mas mesmo assim, não estou
livre disso. Porque sou humano e falho. Reconheço-me incapaz de fazer algumas coisas mas ainda bem que tenho
algumas habilidades que me fazem alegre e fazem outras pessoas sorrirem. Sei
também que sou feliz por ter amigos sinceros
nesta vida, ter filhos amáveis e que me tem como referência. Ainda sei o
que meus filhos fizeram ontem a noite e isso para um pai presente é uma honra
sem medidas. E saber-me falível me faz
compreender atitudes, gestos e palavras nocivas de alguns amigos como parte de
mim mesmo em alguns momentos. Os momentos as vezes mudam de uma hora para
outra. O que era sertão vira cidade. O que era idade vira uma vida. O que era
uma vida no próximo segundo, pluft! De uma coisa estou certo, somos todos
navegantes e cada um precisa remar a sua parte para chegarmos no lugar calmo,
tranquilo e bom. Me dê a sua mão, vamos reatar a velha amizade. Esqueça o que
passou. A vida nos espera, não temos tempo a perder com maus sentimentos. Navegar
é preciso, viver também pode ter precisão! E fico com os versos de Milton
Nascimento:
“Quero a
utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder ?
Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida
Eu viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso,um dia se realizar”

