terça-feira, 14 de julho de 2015

VOCÊ PENSA?

Pensa fanático?  não pensa; fanático pensa não!
Pensa no que te convencem. Mas fanático, pensa por si!
Fanático não cuida de desembolar o novelo
Desembolam por ele, embolando ainda mais.
O seu já embaralhado pensamento.
Fanático não pensa, age como robô
Quando pensa dá fome, come fanático
Fanático, comer é bom, evita pensar.
Pensa só no tempero, no guisado, no sabor.
Ele não pensa muito, porque dá dor de cabeça.
Mas voltando à fome do fanático,
Sabor mesmo é ter idéias próprias.
Pensa, não deixe que te aprisionem, mova-se
Você pode pensar sim, quem disse que não?
Saia, fanático, de dentro da casca do ovo
Vai querer morrer gema ou ver o Sol?
 Pode bicar a casca, senão você não sai,
Não corra, fanático, junto com a manada
Porque nem mesmo a manada sabe pra onde vai.

"NÃO ME AMARRA DINHEIRO NÃO"

Tive boas amizades na infância, amigos de 40 anos
Daqueles que se olha no olho e sabe o que ta acontecendo
Daqueles que se chora um amor sem fim, uma perda, um fim.
Tive boas amizades, daquelas que não se precisa explicar nada
Para explodir de tristeza ou pular de alegria, rir sem motivo
Nunca liguei para dinheiro, nunca fiz amigos por status
Nunca me aproximei de alguém por interesse
Sempre  tive exemplos para que isso não acontecesse
Vergonha na cara é oque mais define o que digo
Até agora, com amigos mais novos dezenas deles
Me doei, tirei de mim o que eu podia dar.
“Sabe lá, o que é não ter e ter que ter pra dar, sabe lá!”
E de tanto me doar acabei me doendo,entregando quem sou
E de tanto me doar, não tive quem pudesse repor, a não ser Deus
Mas quando acontece algo que me constrange, que me dói
Eu cada dia me escondo em mim, a melhor pessoa.
Não preciso de moedas, nem de uma, de duas de trinta
Trinta dinheiros Judas recebeu, trinta dinheiros ele padeceu.
Ah!,” não me amarra  dinheiro não, mas o mistério, dinheiro não!”
Saiba que minha presença em qualquer lugar depende do grau de confiança
Minha visita não é nada, minha presença pode nada representar
Mas para mim, onde vou me mostra quem sou, o que compartilho
A gratidão guardo comigo, a mim me basta; quem me doou receberá
 Quem me doou flores, elas serão retribuídas, pra que falar?
Quem me enxotou, me denegriu, mal juízo me fez
da mesma forma receberá, para que vingar?
Só digo que minha presença não mais terá
A mim me recolho, me deixo nas mãos dos amigos sinceros de meninice
Pois para eles eu sou bem vindo, sou bem vindo, sou bem vindo!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

FAU

FAU
Dentro de ti o que habita é a menina, inocente
Que  viu a desinocência do mundo que diz que não sente.
Já reparou  como o mundo ficou apressado?  Que correria!
“Como está a vida?” “Aquela correria danada, precisamos nos ver mais
Aparece! Não some, tchau!”
Corremos daqui, corremos acolá sem nos perceber
que estamos parados no mesmo lugar, correndo em círculos
Correndo, voltando, sem nada aprender e ensinar.
Pare! Pare para você  crescer e me ajudar
Pare para um cafezinho, não  um expresso ou um carioquinha
Um café de bule, com direito a broa de fubá e queijo.
E uma prosa daquelas de lembrar músicas antigas.
Deixe o mundo correr, a gente vai e ele fica.
Tudo bem, não deixemos nosso dever,
Mas que não passe disso. Não podemos ter medo do mundo.
Outro dia você nasceu, outro dia você cresceu, agora você é.
Não deixe que o tempo passe te levando o que tem de melhor
Não deixe a correria te levar para o mesmo lugar.
Já não disse o poeta, “amigos a gente encontra,
O mundo não é so aqui”?
O mundo não é só aqui! Quem amamos permanece dentro
Quem nos ama  não pode nos prender, não tem esse direito.
Pai, mãe, irmãos, todos nós um dia viveremos um dia de partida
Que pelo menos seja , hoje, idas e vindas, beijos e sorrisos
Que pelo menos seja hoje, a busca do grande sonho
De ver esse mundo que Deus fez para todos nós,
Enfrentá-lo com cara e coragem.
E se precisar, deixe as lágrimas cair, deixe rolar.
Não se chora para sempre, não temos tantas lágrimas assim.
Todo dia a vida nos dá motivos para sorrir.
Todos os dias a vida nos presenteia com um convite para conhecê-la
Vamos conhecer o mundo e depois de tudo,
vamos voltar para beber aquele café impresso, impressa, sem pressa!
Café impresso na alma, pois os cheiros, as dores, as cores os rostos
Tudo isso continua vivo dentro da alma da gente.
Vamos escutar a música de diz la rara rara.....

Vamos ouvir, bem de pertinho, o nosso coração!

domingo, 12 de julho de 2015

Carta a um jovem Promotor de Justiça


"Caro Promotor: em resposta às indagações que me fizeste, segue o que penso a respeito.
Bem sabes que, dentre as relevantes funções que agora exerces, está a de acusar, tarefa das mais graves e difíceis, por certo. Pois bem, quando acusares – e tu o farás muitas vezes, pois o teu dever o exige – não esqueças nunca que sob o rótulo de “acusado”, “réu”, “criminoso” etc. há sempre um homem, nem pior nem melhor do que ti; lembra que nosso crime em relação aos criminosos consiste em tratá-los como patifes (Nietzsche). Evita incorrer nessa censura! Acusa, pois, dignamente, justamente, humanamente!
Lembra que, entre os teus deveres, não está o de acusar implacavelmente, excessivamente, irresponsavelmente. Se seguires a Constituição, como é teu dever, e não simplesmente a tua vontade, atenta bem que a tua função maior reside na defesa da ordem jurídica e do regime democrático (CF, art. 127), e não da desordem jurídica, nem da tirania. E defendê-la significa, entre outras coisas, fazer a defesa intransigente dos direitos e garantias do acusado, inclusive; advogá-lo é guardar a própria Constituição, é defender a liberdade e o direito de todos, culpados e inocentes, criminosos e não criminosos.
Por isso, sempre que te convenceres da inocência do réu, não vacila em pugnar por sua pronta absolvição, ainda que tudo conspire contra isso; faz o mesmo sempre que a prova dos autos ensejar fundada dúvida sobre a culpa do acusado, pois, como sabes, é preferível absolver um culpado a condenar um inocente. Ousa, portanto, defender as garantias do réu, ainda que te acusem de mau-acusador, ainda que isso te custe a ascensão na carreira ou a amizade de teus pares. Assim, sempre que o teu dever o reclamar, não hesita em impetrar habeas corpus, em recorrer em favor do condenado, em endossar as razões do réu, e jamais te aproveita da eventual deficiência técnica do teu (suposto) oponente: luta, antes, pela Justiça! Lembra, enfim, que és Promotor de Justiça, e não de injustiça!
E quando te persuadires da correção do caminho a trilhar, segue sempre a tua verdade, a tua consciência, não cede à pressão da imprensa, nem de estranhos, nem de teus pares; sê fiel a ti mesmo, pois quem é fiel a si mesmo não trai a ninguém (Shakespeare), porque não cria falsas expectativas nem ilusões.
Trata a todos com respeito, com urbanidade; sê altivo com os poderosos e compreensivo com os humildes; lembra que quem se faz subserviente e se arrasta como verme não pode reclamar de ser pisoteado (Kant).
Evita o espetáculo, pois não és artista de circo nem parte de uma peça teatral; sê sereno, sê discreto, sê prudente, pois não te é dado entregares a tais veleidades;
Estuda, e estuda permanentemente, pois não te é lícito o acomodamento; não esqueças que toda discussão tecnológica encobre uma discussão ideológica; lê, pois, e aplica as leis criticamente; não olvidas que teu compromisso fundamental é com o Direito e a Justiça e não só com a Lei;
Não te julgues melhor do que os advogados, servidores, policiais, juízes e partes, nem melhor do que teus pares;
Não colocas a tua carreira acima de teus deveres éticos nem constitucionais;
Vigia a ti mesmo, continuamente, mesmo porque onde houver uso de poder haverá sempre a possibilidade do abuso, para mais ou para menos; antes de denunciar o argueiro que se oculta sob olhos dos outros, atenta bem para a trave que te impede de te ver a ti mesmo e a teus erros; lembra que as convicções são talvez inimigas mais perigosas da verdade que as mentiras, e que a dependência patológica da sua óptica faz do convicto um fanático (Nietzsche);
Não te esqueças de que, por mais relevantes que sejam as tuas funções, és servidor público, nem mais, nem menos, por isso sê diligente, sê probo, sê forte, sê justo!"
Cordialmente,
Paulo Queiroz
(Procurador Regional da República)

PAULO QUEIROZ

Doutor em Direito (PUC/SP), é Procurador Regional da República, Professor do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e autor do livro Direito Penal, parte geral, S. Paulo, Saraiva, 3ª edição, 2006.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O que houve por trás da reforma ortográfica. Afinal, a língua portuguesa pertencia a Antonio Houaiss?

Um artigo de Janer  Cristaldo, antes de implantada a reforma.


O acordo ortográfico ideado por Antonio Houaiss diz finalmente ao que vem. Leio na Veja que o governo abriu licitação para a compra de 10 milhões de dicionários que serão distribuídos em cerca de um milhão de salas de aulas da rede pública ainda este ano. É a primeira compra de dicionários desde 2006 – ou seja, os que estão hoje disponíveis são pré-acordo ortográfico.

Isto é só o começo. Depois terão de ser transpostos à nova norma os livros didáticos, os paradidáticos e toda a literatura nacional já publicada. Mais as eventuais reedições de traduções. A indústria editorial deve estar esfregando as mãos de felicidade. A negociata é de proporções colossais.

Portugal, a nação onde a língua nasceu, não gostou do acordo. E continua escrevendo como dantes. Um Conselho de Ministros deu um prazo – 2014 – para que os lusos passem a escrever segundo o acordo. Até lá, muita água ainda há de correr sob a ponte sobre o Tejo.

A tentativa de unificação das diferentes variantes do português, além de inútil, é estúpida. Mesmo que se unifique a grafia, resta o que mais diferencia as línguas. Me atenho ao português e brasileiro, já que desconheço as variantes de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau ou Timor-Leste.

Quando passo em Lisboa, tenho às vezes vontade de falar outra língua, para comunicar-me melhor. Certa vez, em uma estação de trens, perguntei a um luso onde ficava os banheiros.

- O senhor quer banhar-se?
Não, respondi. Queria apenas urinar.
- Ah! O mingitório. Fica ali.

Tente traduzir este anúncio de metrô:

Senhor utente: se for descer na paragem tal,
dirija-se aos carros à frente do comboio


Pode traduzir. Mas já será outra língua. Ou ainda, este anúncio nos banheiros:

Antes de sair, carregue no autoclismo

Autoclismo é a descarga. Nos cafés, você não pede um café, mas uma bica. Mais surpreso você ainda ficará ao encontrar em uma ementa – isto é, cardápio – pratos como bifanas e safadinhas, pregos e sopa de grelos, febras de bacorinho ou punhetas de bacalhau.

E por aí vai. De que serve unificar a grafia, quando os idiomas já são dois? Quando falo em língua brasileira, nunca falta um fanático para me corrigir: língua portuguesa. Não é o que pensam os tradutores da Europa e dos Estados Unidos. Nos créditos de uma tradução, encontramos tradução do português. Ou do brasileiro. Já fui inclusive convidado para traduzir uma tradução do português ao brasileiro. Como a tarefa não me entusiasmou, recusei.

O acordo ortográfico é um embuste, cujo primeiro beneficiário foi Antonio Houaiss. Antes mesmo de o acordo ser assinado, seu dicionário já estava redigido segundo as novas normas. A indústria editorial brasileira logo percebeu as vantagens. Terá mercado cativo para as próximas décadas.

A eliminação de acentos só serve a analfabetos que não sabiam lidar com a língua. A eliminação do acento em pára, do verbo parar, torna confusas as manchetes. O saudoso Nestor de Hollanda dizia ser o acento diferencial fundamental para a compreensão do discurso. A virgem diz: ai. A viúva diz: aí.

Quando vejo escrito plateia, assembleia, Coreia, assim sem acento, minha tendência é pronunciar platêia, assemblêia, Corêia. Resumindo: a reforma revelou-se confusa, incoerente e só serve para dar lucros ao mundo editorial.

A universidade e os jornais foram covardes. Poderiam tranqüilamente recusar-se à proposta absurda. Os editores, é claro, jamais se recusariam. De minha parte, resisto. Continuo a escrever na boa e velha grafia e ninguém vai demover-me disto.

Jozé Joaqim Leão de Qorpo Santo, nos estertores do século XIX, em sua Ensiqlopedia ou seis mezes de uma enfermidade, fez uma proposta mais radical, coerente e sensata. Ocorre que, além de ser gaúcho, era tido como louco.

Houaiss fala uma linguagem que os editores entendem: lucro.



 Paulo Francis era crítico feroz de Houaiss:


"...tipo que nunca tomou posição real em coisa alguma, passando de uma vida galinha morta no Itamaraty à de compilador de enciclopédias e dicionários, a peso de ouro, porque fala difícil, o que passa por cultura no Brasil. Tudo pessoal, tudo vaidade."

"No Brasil me contaram que Antônio Houaiss disse em televisão que vai fazer um dicionário com 'Nós faz', 'Nós quer' e similares, porque é assim que o povo fala. Imaginem só, isso de um filólogo que, no dia-a-dia, em vez de discordo diz discrepo, em vez de familiarizado, diz tenho privância, e em vez de em baixo, sotoposto. Não é só demagogia. É autoritarismo mascarado de populismo. Não é sequer o velho marxismo que se propunha conscientizar o operariado, ilustrá-lo. Sintaxe e gramática certas são questões morais, como diria Eliot."

"A reforma nada acrescenta. É uma expressão precisa da aridez intelectual de Houaiss. Ele nunca será referido como Caldas Aulete ou Aurélio. É um mero compilador de enciclopédias, socialista de salão, que mostra o que pensa, em verdade, do povo, quando fala ou escreve, usando um vocabulário de paralelepípedos. Como é muito charmoso, foi poupado por muita gente, eu incluso. Não mais.

A única obra literária de Houaiss é a tradução de Ulysses, de James Joyce. Foi feita no tempo que eu trabalhava para a editora que lançou o livro, Civilização Brasileira. A piada em todas as bocas é que a tradução era mais difícil que o original. Nunca li. Mas olhei o final. É o célebre monólogo de Molly Bloom. Em orgasmo, Molly diz yes várias vezes. Como é que Houaiss traduziu? Com seu ouvido de lata, claro que traduziu para sim, literalmente correto, mas quem tem uma gota de sangue literário nas veias sabe que yes aí é o é do verbo ser. Sim é formal. O é, coloquial, adequado onomatopaicamente.

Houaiss diz que a ONU denominou português língua universal porque mais de 100 milhões de pessoas falam. É mesmo? Português não é uma das línguas oficiais da ONU, sequer. Línguas universais são inglês, francês e espanhol. É óbvio. E colocar Angola e Moçambique entre os usuários do português é outra piada. Os dialetos africanos, pouco a pouco, tornam a língua irreconhecível. Só nós e os portugas falamos português e qualquer semelhança é mera coincidência."

terça-feira, 28 de abril de 2015

A banda vem

Há algo parado no ar, há uma tendência.
Enquanto a banda passava ele se escondia 
atrás da cortina, botas de fora
Enquanto a banda passava.
coração batia
É porquê há algo parado no ar,
Que não pode nem deve se mexer
Ouço o tarol da banda, descompassado
Regido pelo filho do seu ninguém
Que se encorajou e enfrentou o medo
De participar da banda que vai e vem
Há algo parado no ar, é consequência
Tantos anos  sem nada fazer nesse mizerê
O sistema é nada fazer, deixar rolar
Reclamar trancado no quarto,
Roendo as unhas
De onde vem , afinal, nossa providência?
Ouço o trombone da banda, bem ensaiado
Não acredito que o tocador seja o zé mingau
Era ele o mais reticente, envergonhado
Era o mais desritmado, tocava mal.
E eu escondido aqui, correndo da  banda
Sem saber que os tocadores vivem também
dilemas de incertezas e tem frutos podres

Mas é na cadencia da banda, que a banda vem 

sábado, 25 de abril de 2015

STATUS QUO

Infelizmente eu tenho sede, mas não é qualquer sede. É a sede dos famintos,  sede de sal, sal que conserva o que ainda não se destruiu. O mundo continua sedento de alimento para alma. O mundo cede ao status quo. Todos cedem à qualquer golezinho do líquido  que ameniza a fome da vaidade. Ópio. Sede de fome, fome de sede? Que estranho!

Sede e fome se sente hoje sem o estômago dar sinal. Mas as verdadeiras sede e fome quem dá o sinal é a Luz, ponto em que se encontra Paz e condição para se ter Amor.

 A bobagem do Fair Play é manifestação do ego. "Vejam como eu sou bonzinho e sei ser gentil!"

 Quem tem amor não tem sede nem cede ao ego. Quem é homem original, divina criatura, não precisa de Fair Play. É, simplesmente. Quem tem sede e fome como eu, comedor de feijão, não precisa de Fair Play,  precisa é ser do bem. Gente do mal faz as honras de forma impecável, sabe receber, sabe se sentar à mesa e nunca tem sede nem fome.

Tem avidez plácida, Sorriso falso delicado, quase imperceptível, mas por dentro se encontra o fosso escuro que tenta destruir o bem . Desculpem-me, mas considero a polidez fairplônica totalmente falsa e dispensável. Os maiores sanguinários são e foram polidos.

Para mim, sirva-me água pura no copo de extrato de tomate e não fel em um cálice de cristal.

EU TE COMPREENDO

A Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz, milenar de tradição e ideológica por essência; que antecede a própria história da Antiga Escola de Mistérios não nos ensina a entregar a vitória diante do primeiro grito; ela nos prepara para todas as atribulações que a vida generosamente nos oferece, porque sem isso; sem estes preceitos de dignidade, jamais podemos vislumbrar as respostas para cada pergunta; sem o momento do furacão não podemos antecipar a colheita e sem o advento dos ventos, não poderíamos aperfeiçoar a vela para podermos ir tão longe!

Problemas todos nós temos e isso é fato! Soluções plausíveis e dignas para cada um deles é o que nos impulsiona a provar que somos capazes e dignos do rótulo de honesto! De nada adianta orar a Deus e cometer o pecado; de nada adiante ser cético se tal conjuntura não lhe move rumo ao crescimento pessoal; mas de tudo nos vale se ao menos respirarmos diante do rancor e de coração passarmos a compreender mais todas as coisas e fatos!

Compreensão é captação e é aí que as maiorias de nós têm temor, aversão. Estamos tão preocupados com nossos tesouros que esquecemos que muitas vezes aquele que está ao nosso lado precisa de apenas uma migalha; aquela migalha que jogamos no lixo, mas somos incapazes de oferecer! Compreender é para nós uma espécie de aviltamento, porque estamos sempre na espreita para mostrar que somos os melhores; ser melhor nos dias de hoje significa ser Deus; e mesmo os que negam no fundo o querem sê-lo!

Escrever é muito mais fácil do que praticar; e eu não fujo a regra; sou humano e falho; sou crítico e criticado; e se minha escrita apontar ao menos o caminho da compreensão, que esta me sirva sempre de lição, pois não me sinto humilhado quando peço desculpas, muito menos ultrajado quando a recebo em troca.

Para celebrar os meus problemas; aqueles que só me impulsionam a solução; mais uma vez reedito o texto “Eu te compreendo”; base dos ensinos misteriosos em busca da abrangência cósmica do criador e pilar indispensável para uma vida em comunidade.

Espero que gostem, pratiquem e divulguem! Este texto não é nenhuma corrente, mas se lá no fundo de seu coração não houve qualquer sentimento que o conduza a pensar em compreender melhor tudo e todos, desculpe-me, tu deves ter lido de forma equivocada. Refaça a leitura, porque o produto que o texto pretende atingir será benéfico para teu coração. Não sei de quem é a sua autoria, mas desde já, pela sua grandeza e pela sua alta capacidade de penetrar no interior de nossa alma, ouso publicá-lo. ( Carlos Henrique Mascarenhas Pires é editor do blog www.irregular.com.br Imperador Dom Henrique I)

 
                                                              EU TE COMPREENDO


"Eu sei das tuas tensões, dos teus vazios e da tua inquietude. Eu sei da luta que tens travado à procura de Paz. Sei também das tuas dificuldades para alcançá-la. Sei das tuas quedas, dos teus propósitos não cumpridos, das tuas vacilações e dos teus desânimos.

Eu te compreendo... Imagino o quanto tens tentado para resolver as tuas preocupações profissionais, familiares, afetivas, financeiras e sociais. Imagino que o mundo, de vez em quando, parece-te um grande peso que te sentes obrigado a carregar. E tantas vezes, sem medir esforços.

Eu conheço as tuas dúvidas, as dúvidas da natureza humana. Percebo como te sentes pequeno quando teus sonhos acalentados vão por terra, quando tuas expectativas não são correspondidas. E essas inseguranças com o amanhã? E aquela inquietação atroz em não saberes se amanhã as pessoas que hoje te rodeiam ainda estarão contigo? De não saberes se reconhecerão o teu trabalho, se reconhecerão o teu esforço. E, por tudo isto, sofres, e te sentes como um barco sozinho num mar imenso e agitado.

E não ignoro que, muitas vezes, sentes uma profunda carência de amor. Quantas vezes pensastes em resolver definitivamente os teus conflitos no trabalho ou em casa. E nem sempre encontraste a receptividade esperada ou não tiveste força para encaminhar a tua proposta. Eu sei o quanto te dói os teus limites humanos; e o quanto às vezes te parece difícil uma harmonia íntima. E não poucas vezes, a descrença toma conta do teu coração.

SEMPRE ACHAM QUE É POUCO

Eu te compreendo... Compreendo até tuas mágoas, a tristeza pelo que te fizeram, a tristeza pela incompreensão que te dispensaram, pelas ingratidões, pelas ofensas, pelas palavras rudes que recebeste. Compreendo até as tuas saudades e lembranças. Saudade daqueles que se afastaram de ti, saudade dos teus tempos felizes, saudade daquilo que não volta nunca mais... E os teus medos? Medo de perderes o que possuis; medo de não seres bom para aqueles que te cercam; medo de não agradares devidamente às pessoas, medo de não dares conta; medo de que eles descubram o teu íntimo; medo de que alguém descubra as tuas verdades e as tuas mentiras; medo de não conseguires realizar o que planejaste; medo de expressares os teus sentimentos, medo de que te interpretem mal.

Eu compreendo esses e todos os outros medos que tens dentro de ti. Sou capaz de entender também os teus remorsos, as faltas que cometeste; o sentimento de culpa pelos pequenos ou grandes erros que praticaste na tua vida. E sei que, por causa de tudo isso; às vezes te encontras num profundo sentimento de solidão. É quando as coisas perdem a cor, perdem o gosto e te vês envolto numa fina camada de indiferença pela vida. Refiro-me àquela tua sensação de isolamento, como se o mundo inteiro fosse indiferente às tuas necessidades e ao teu cansaço. E nesse estado, és envolvido pelo tédio e cada ação ou obrigação exige de ti um grande esforço. Sei até das tuas sensações de estares acorrentado, preso; preso às normas, aos padrões estabelecidos, às rotineiras obrigações: "Eu gostaria de... mas eu tenho que trabalhar, tenho que ajudar, tenho que cuidar de, tenho que resolver, tenho que!...". Eu te compreendo... Compreendo os teus sacrifícios.

E a quantas coisas tens renunciado, de quantos anseios tens aberto mão!... E sempre acham que é pouco... Pouca coisa tem feito por ti e tua vida, quase toda ela, tem sido afinal dedicada a satisfazer outras pessoas. Sei do teu esforço em ajudar as outras pessoas e sei que isso é a semente de tuas decepções. Sei que, nas tuas horas mais amargas, até a revolta aflora em teu coração. Revolta com a injustiça do mundo, revolta com a fome, as guerras, a competição entre os homens, com a loucura dos que detêm o poder, com a falsidade de muitos, com a repressão social e com a desonestidade. Por tudo isso, carrega um grau excessivo de tensões, de angústia e de ansiedade. Sonhas com uma vida melhor, mais calma, mais significativa. Sei também que tens belos planos para o amanhã. Sei que queres apenas um pouco de segurança, seja financeira ou emocional, e sei que lutas por ela.

Mas, mesmo assim, tuas tensões continuam presentes. E tu percebes estas tensões nas tuas insônias ou no sono excessivo, na ausência de fome ou na fome excessiva, na ausência de desejo para o sexo ou no desejo sexual excessivo. O fato é que carregas e acumulas tensões sobre tensões: tensões no trabalho, nas exigências e autoritarismos de alguns, nas condições inadequadas de salário e na inexistência de motivação, nos ambientes tóxicos das empresas, na inveja dos colegas, no que dizem por trás. Tensões na família, nas dependências devoradoras dos que habitam a mesma casa; nos conflitos e brigas constantes, onde todos querem ter razão; no desrespeito à tua individualidade, no controle e cobrança das tuas ações. Eu te compreendo, e te compreendo mesmo. E apesar de compreender-te totalmente, quero dizer-te algo muito importante. Escuta agora com o coração o que te vou dizer:

Eu te compreendo, mas não te apoio! Tu és o único responsável por todos estes sentimentos. A vida te foi dada de graça e existem em ti remédios para todos os teus males. Se, no entanto, preferes a autocomiseração ao invés de mobilizares as tuas energias interiores, então nada posso te oferecer. Se tu preferes sonhar com um mundo perfeito, ao invés de te defrontares com os limites de um mundo falho e humano, nada posso te oferecer.

Se tu preferes lamentar o teu passado e encontrar nele desculpas para a tua falta de vontade de crescer; se optastes por tentar controlar o futuro, o que jamais controlarás com todas as suas incertezas; se resolveste responsabilizar as pessoas que te rodeiam pela tua incompetência em tratar com os aspectos negativos delas, em nada posso te ajudar. Se tu trocaste o auto-apoio pelo apoio e reconhecimento do teu ambiente, então nada posso te oferecer. Se tu queres ter razão em tudo que pensas; se queres obter piedade pelo que sentes; se queres a aprovação integral em tudo que fazes; se escolhestes abrir mão de tua própria vida, em nome do falso amor, para comprares o reconhecimento dos outros, através de renúncias e sacrifícios, nada posso te oferecer. Se tu entendeste mal a regra máxima "Amar ao próximo como a ti mesmo", esquecendo-te de amar a ti mesmo, em nada posso te ajudar.

NÃO TE APOIO

Se não tens um mínimo de coragem para estar com teus próprios sentimentos, sejam agradáveis ou dolorosos; se não tens um mínimo de humildade para te perdoares pelas tuas imperfeições; se desejas impressionar os outros e angariar a simpatia para teus sofrimentos; se não sabes pedir ajuda e aprender com os que sabem mais do que tu; se preferes sonhar, ao invés de viver, ignorando que a vida é feita de altos e baixos, nada posso te oferecer. Se tu achas que pelo teu desespero as coisas acontecerão magicamente; se usas a imperfeição do mundo para justificar as tuas próprias imperfeições; se queres ser onipotente, quando de fato és simplesmente humano; se preferes proteção à tua própria liberdade; se interiorizaste em ti desejos torturadores; se deixaste imprimirem-se em tua mente venenosas ordens de: "Apressa-te!", "Não erres nunca!", "Agrade sempre!"; se escolheste atender às expectativas de todas as pessoas; se és incapaz de dar um não quando necessário, em nada posso te ajudar. Se tu pensas ser possível controlar o que os outros pensam de ti; se tu pensas ser possível controlar o que os outros sentem a teu respeito; se tu pensas ser possível controlar o que os outros fazem; se queres acreditar que existe segurança fora de ti, repito:

Eu te compreendo, mas, em nome do verdadeiro Amor, jamais poderia apoiar-te! Se recusas buscar no âmago do teu ser respostas para os teus descaminhos, se dás pouca importância a teus sussurros interiores; se esqueceste a unidade intrínseca dos opostos em nossa vida terrena; se preferes o fácil e abandonastes a paciência para o Caminho; se fechaste teus ouvidos ao chamado de retorno; se perdeste a confiança a ponto de não poderes entregar tua vida à vontade onipotente de Deus; se não quiseste ver a Luz que vem do Leste; se não consegues encontrar no íntimo das coisas aquele ponto seguro de equilíbrio no meio de todas as tormentas e vicissitudes; se não aceitas a tua vocação de Viajante com todos os imprevistos e acidentes da Jornada; se não queres usar o tempo, o erro, a queda e a morte como teus aliados de crescimento, realmente nada posso fazer por ti.

Se aspiras obter proteção quando o que precisas é Liberdade; se não descobriste que a verdadeira Liberdade e a autêntica Segurança são interiores; se não sabes transformar a frase "Eu tenho que..." na frase "Eu quero!"; se queres que o fantasma do passado continue a fechar teus olhos para a infinidade do teu aqui e agora; se queres deixar que o fantasma do futuro te coloque em posição de luta com o que ainda não aconteceu e, provavelmente, não chegará a acontecer; se optaste por tratar a ti mesmo como a um inimigo; se te falta capacidade para ver a ti mesmo como alguém que merece da tua própria parte os maiores cuidados e a maior ternura; se não te tratas como sendo a semente do próprio Deus; se desejas usar teus belos planos de mudar, de crescer, de realizar, como instrumentos de auto-tortura; se achas que é amor o apego que cultivas pelos teus parentes e amigos; se queres ignorar, em nome da seriedade e da responsabilidade, a criança brincalhona que habita em ti; se alimentas a vergonha de te enternecer diante de uma flor ou de um por de sol; se através da lamentação recusas a vida como dádiva e como graça, não posso te apoiar.

Mas, se apesar de todo o sono, queres despertar; se apesar de todo o cansaço, queres caminhar; se apesar de todo o medo, queres tentar; se apesar de toda acomodação e descrença, queres mudar, aceita então esta proposta para a tua Felicidade: A raiz de todas as tuas dificuldades são teus pensamentos negativos. São eles que te levam para as dores das lembranças do passado e para a inquietação do futuro. São esses pensamentos que te afastam da experiência de contato com teu próprio corpo, com o teu presente, com o teu aqui e agora e, portanto, distanciando-te de teu próprio coração. Tens presentes agora as tuas emoções? Tens presente agora o fluxo da tua respiração? Tens presente agora a batida do teu coração? Tens agora a consciência do teu próprio corpo? Este é o passo primordial. Teu corpo é concreto, real, presente, e é nele que o sofrimento deságua e é a partir dele que se inicia a caminhada para a Alegria.