sexta-feira, 17 de abril de 2015

Na verdade não tá ( Seu Jorge)



Ela não larga mais
Aquele telefone
Já não quer mais
Conversar ao vivo com ninguém

Mergulha de cabeça
Pela tela e some
Me diz pra que tanto selfie
Eu hein?

Pode o mundo em volta estar caindo
Que ela não vai se abalar
Você fala, ela finge estar ouvindo
Mas na verdade não tá

O samba pegando fogo
O churrasco tá bombando
Ela pensa estar curtindo
Mas na verdade não tá

Todo mundo vendo o jogo
Tá torcendo, tá sambando
Ela pensa estar curtindo
Mas na verdade não tá


Napoleão e seu exército.

Relembrando....

Assim Napoleão, o líder francês, classificava as pessoas, escolhendo-as para o seu famoso e forte exército:

1- Os inteligentes com iniciativa;
2. Os inteligentes sem iniciativa;
3. Os ignorantes sem iniciativa;
4. Os ignorantes com iniciativa.

Aos inteligentes com iniciativa, Napoleão dava as funções de comandantes gerais, estrategistas. Os inteligentes sem iniciativa ficavam como oficiais que recebiam ordens superiores e as cumpriam com diligência. Os ignorantes sem iniciativa eram colocados à frente da batalha - buchas de canhão, como dizemos. Os ignorantes com iniciativa, Napoleão não gostava e não queria em seus exércitos.

Esse "achado" de Napoleão serve também para qualquer lugar. Será que também não temos em nosso "exército napoleônico",  esses três tipos de "soldados"? E não serão todos necessários?

Pense bem. Um exército só de generais estrategistas por certo não vencerá batalha alguma. Alguém tem que estar no front. Obedientes oficiais sem estratégia também não vencem uma guerra. Soldados dedicados, sem comando, sem liderança, sem direcionamento, também não trazem sucesso. Portanto, precisamos dos três tipos de soldados para vencer uma batalha, assim como dos três tipos de colaboradores para que possamos vencer os desafios do dia a dia.

Um ignorante com iniciativa é capaz de fazer besteiras enormes. Um ignorante com iniciativa faz o que não deve, fala o que não deve e até ouve o que não deve. Um ignorante com iniciativa faz a sua empresa perder bons clientes, bons fornecedores. São os ignorantes com iniciativa que fazem produtos sem qualidade porque resolvem alterar processos definidos. Um ignorante com iniciativa é, portanto, um grande risco. Não precisamos dele.

Vamos trabalhar para sermos líderes inteligentes com iniciativa. O mundo está escasso deles.

A ou Há?

Para saber se você deve usar “a” ou “há” apresentamos aqui algumas dicas para facilitar a eliminação de dúvidas a esse respeito:

 Usa-se “há” quando o verbo “haver” é impessoal, tem sentido de “existir” e é conjugado na terceira pessoa do singular.
Exemplo: Há um modo mais fácil de fazer essa massa de bolo.
Existe um modo mais fácil de fazer essa massa de bolo.

• Ainda como impessoal, o verbo “haver” é utilizado em expressões que indicam tempo decorrido, assim como o verbo “fazer”.
Exemplos: Há muito tempo não como esse bolo.
Faz muito tempo que não como esse bolo.
Logo, para identificarmos se utilizaremos o “a” ou “há” substituímos por “faz” nas expressões indicativas de tempo. Se a substituição não alterar o sentido real da frase, emprega-se “há”.
Exemplos: Há cinco anos não escutava uma música como essa.
Substituindo por faz: Faz cinco anos que não escutava uma música como essa.

• Quando não for possível a conjugação do verbo “haver” nem no sentido de “existir”, nem de “tempo decorrido”, então, emprega-se “a”.
Exemplos: Daqui a pouco você poderá ir embora.
Estamos a dez minutos de onde você está.

Importante: Não se usa “Há muitos anos atrás”, pois é redundante, pleonasmo. Não é necessário colocar “atrás”, uma vez que o verbo “haver” está no sentido de tempo decorrido.


Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

Zap-zap

Querido Wandervaldo, como eu sinto a sua falta. Sorte é que ainda existem canetas esferográficas e papel para eu escrever minhas cartas para você. É. Está assim agora, tudo virtual. Nossos filhos estão bem, pena que pegaram essa febre também. As vezes demoram meses para me visitar e quando chegam cada um fica no telefone e eu olhando as pessoas passando na rua, já que nossa televisão quebrou desde que você morreu e eu não quis comprar outra. Eu fico imaginando o que tanto eles falam naqueles telefones. Não sorriem, não há esboço nem de alegria nem de tristeza mas de concentração total e uma rapidez incrível nos dedos. Pera aí, mãe, pera aí, vó! É o que eu mais ouço. Até quando eu sirvo o almoço eles não largam o telefone, teclam com um dedo só. Agora você vê! Quer ver agonia é quando um telefone cai. Eles se desesperam, olham direitinho, sopram, tratam com mais cuidado do que um bebê.. É um tal de facebook, instagram, zap-zap, tudo nome esquisito. Tem isso aí em cima também, meu velho? Eu to achando que tem, porque já escrevi mais de 500 cartas e você não me respondeu nenhuma...

ENTREVISTA NA ESCOLA EVOLUÇÃO

Fui convidado para estar na terça feira passada, dia 14/04,  em um bate papo com a quinta série B da escola evolução, sob o comando da professora Vanuza. São meninos e meninas na faixa de 10 anos de idade e o tema era “Crônicas”.  Como chegar para crianças dessa idade e dizer que “Crônica é uma narrativa histórica que expõe os fatos seguindo uma ordem cronológica. A palavra crônica deriva do grego "chronos" que significa "tempo". Nos jornais e revistas, a crônica é uma narração curta escrita pelo mesmo autor e publicada em uma seção habitual do periódico, na qual são relatados fatos do cotidiano e outros assuntos relacionados a arte, esporte, ciência” .Não dá!

São crianças de 10 anos e a linguagem tem que ser voltada para eles . Sorte minha é que a minha filha Laila estuda nessa turma e eu sou um pai afinado com as idéias dessa garotada, me enturmo fácil, acreditem se quiser. Atrás dessa cara de  cachorro bulldog mora um meninão careca que além de advogado, também gosta de escrever crônicas.

 So de ter esse tema debatido já é uma louvável iniciativa da Escola. Fiquei feliz em ver os alunos reunidos, sob esse nosso calor sufocante  e a maria Eduarda, toda extrovertida, parecendo a Fátima Bernardes ou a Fernanda Lima, fazendo as mais diversas perguntas, querendo saber como elaboro minhas crônicas, se eu gostava de escrever desde criança, como é que se faz para ser um cronista, se cronista ganha dinheiro. Essa última mereceu uma sonora gargalhada minha ( e de todos). Enquanto isso a Melissa me ajudava no microfone e na caixa de som.

Me coloquei no lugar deles pois aos dez anos eu gostava de fazer redação e adorava quando era reconhecido por isso, não por vaidade, mas valorizando minha autoestima, que já era meio massacrada por eu ser o gordinho da turma, o Jaime de Carrossel.
Eu comecei a gostar de escrever pois era um garoto introspectivo e via nas poesias e textos uma maneira de descarregar um pouco as tensões do dia a dia, minhas ansiedades diante da vida, meu nervosismo. Eu não tinha uma ideia de futuro, não idealizei o que queria ser, apenas gostava de escrever. Fiz o ensino fundamental em escola pública e nunca fui professor, exceto por alguns meses.

Devo confessar que tive o privilégio de ter uma super professora, incrível e fundamental em minha vida chamada Irmã Nelly!

Uma freira que era uma sumidade na arte de ensinar literatura e que gostava muito de sentir os alunos que tinham aptidão para poesias. Ela me emprestava livros, falava para que  procurássemos saber a vida dos escritores, para conhecermos o motivo do enredo dos seus livros, textos e poesias.

Quando eu não ia bem nas provas, ela me consolava dizendo que aquela nota ruim poderia ser um incentivo para eu estudar mais e me sair melhor na próxima prova. Era uma verdadeira amiga e todos os seus alunos, de mais de trinta anos atrás, também  a tem como uma inesquecível referência.


Bom mesmo foi a atitude da professora Vanuza e da Escola Evolução, ao incentivar garotos de tenra idade a se interessar pelo assunto, produzindo neles a afeição pela leitura, neste mundo permeado por telefones, selfies e facebook. Que todo meio de conhecimento possa ter o seu devido valor. Valeu meninos da quinta série B, Valeu minha entrevistadora Maria Eduarda. Torço muito para o sucesso de todos vocês e eu gostei de cada pergunta que foi feita. Espero que me chamem mais vezes.  

MEDO

Delete tudo pois nada existiu de verdade,
Na minha mente  tudo se revelou de repente
Não sou um menino nem nunca fui
Meus pensamentos sempre foram de adulto
Nunca sonhei ser astronauta ou superman
Criança, minhas preocupações eram adultas
Mas, Ednardo, sente aí, tome um café que
Enquanto engoma a calça eu vou lhe contar
Das horas longas de solidão engolidas a seco
Das noites infindas enfrentando a teimosia,
Irresponsável competição de um arremedo
Delete de sua imagem algo que viu de bom ou ruim
Era tudo de bolhas de sabão
Despreze o que imaginou ter acontecido
Seja alegre ou divertido, era apenas fuga,
 Não poderia ter sido diferente
Nada seria diferente porque os personagens
Eram os mesmos, piões que recusavam ser reis
Por medo, por covardia, por omissão
Pela inacreditável descrença de saberem
 que poderiam mudar o mundo. O seu mundo.
 E poderiam, mas se esconderam no fundo sombrio de si mesmo.
Nem movimentavam uma peça,
quanto mais dar um xeque mate...
“Nem tente, ele tem dois milhões”
Tolos  e inocentes, malfeitores e espectadores
Apenas observavam e fechavam a janela, alheios.
Escorregando agachados na parece da sala.
Trincando os dentes e borrando as calças,
quando a caravana dos ladrões reais passavam
Medo! É bem como diz o poeta
"Eu tenho medo e ja aconteceu
Eu tenho medo e ainda está por vir
Morre o meu medo e isto não é segredo
Eu mando buscar outro lá no Piauí."
Sempre é bom ter um depósito de medo, esse Belchior!
Mas é claro que posso ter medo, sou sou apenas um pião, 
Dizem que criança tem medo, nunca acreditei nisso
Criança não tem medo nem do lobo mau. 
Tem medo da figura medonha momentânea, isso não é medo.
Se bem que eu nunca fui criança
Sempre fui taciturno e desconfiado
De que algo bom não me aconteceria
Nem mesmo nada alegre ou divertido, 
era apenas fuga para o Piauí, buscando mais medo.
Eu conto os poucos momentos risonhos. Poucos.
Eu sei onde cada laço foi rompido
Mas o que poderia ter sido diferente?
Fui nascido para calar.
Porquê estranham tanto se agora eu não me calo mais.
Não que eu me rebele e saia tresloucado,
atravessando as pontes de madeira trincada
Sem nem olhar onde passo.
Mas, me sinto alcançando o prumo
Deixei, pelo medo piauiense que ainda ronda, 
destruírem meus sonhos diversas vezes
Refiz diversas tantas outras.
E ainda tentam fazê-lo
Umas vezes com sucesso, outras não.
Minha casa era escura
e era assim que  eu sentia dentro de mim
Antes de deletá-la.
Por isso prefiro a claridade de minha casa hoje,
Que bom estar conseguindo.
Não há o que provar
O meu Piauí não existe mais
E Belchior tirou umas férias

Onde morava minha inexistente solidão..

CONHEÇO O MEU LUGAR - BELCHIOR

O que é que pode fazer o homem comum
Neste presente instante senão sangrar?
Tentar inaugurar
A vida comovida
Inteiramente livre e triunfante?
O que é que eu posso fazer
Com a minha juventude
Quando a máxima saúde hoje
É pretender usar a voz?
O que é que eu posso fazer
Um simples cantador das coisas do porão?
Deus fez os cães da rua pra morder vocês
Que sob a luz da lua
Os tratam como gente - é claro! - aos pontapés
Era uma vez um homem e o seu tempo
Botas de sangue nas roupas de lorca
Olho de frente a cara do presente e sei
Que vou ouvir a mesma história porca
Não há motivo para festa: Ora esta!
Eu não sei rir à toa!
Fique você com a mente positiva
Que eu quero é a voz ativa (ela é que é uma boa!)
Pois sou uma pessoa.
Esta é minha canoa: Eu nela embarco.
Eu sou pessoa!
A palavra "pessoa" hoje não soa bem
Pouco me importa!
Não! Você não me impediu de ser feliz!
Nunca jamais bateu a porta em meu nariz!
Ninguém é gente!
Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve!
Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos!
Não sou da nação dos condenados!
Não sou do sertão dos ofendidos!
Você sabe bem: Conheço o meu lugar!

terça-feira, 14 de abril de 2015

PALAVRAS MÁGICAS

Estava andando dias atrás, próximo de minha casa, quando vi um motorista desrespeitando a faixa de pedestres, no momento em que uma senhora iria atravessar. Foram tantos palavrões desferidos pela senhora ao motorista que já ia longe, que assustou quem passava perto. Se ela tinha alguma razão, perdeu naquele momento com sua atitude irracional e transtornada. Se igualou ao motorista rebelde. Percebi então que muitas coisas podem ter desfechos diferentes se tivermos uma disposição de nos comunicarmos melhor. Acontecendo isso, a nossa referência se transforma pois uma atitude grosseira e descortês passa a ser marca registrada de uma cidade se repetida diversas vezes. Presenciei princípios de tumultos em filas de banco, sinais de trânsito, lojas e bares que quase terminaram em tragédia. Muitas vezes vejo as pessoas reivindicando um direito de forma exagerada, desproporcional, quando um simples “com licença”, “por favor”, “obrigado”, “ desculpe”, resolveria tudo. Outro dia cheguei em casa, à noite, e tinha um carro estacionado bem na porta de minha garagem. Fiquei sem ter como entrar em casa. O que pude fazer foi procurar um lugar mais afastado e deixar o carro. Não deu outra: um “amigo do alheio” quebrou o vidro do automóvel e levou meu toca cd e outros pertences. Fiquei indignado nem tanto pelo roubo, já que o infeliz do ladrão encontrou uma oportunidade fácil de exercer seu triste ofício. Fiquei zangado pela falta de consciência da pessoa que só pensou em si, estacionando o carro em frente à minha garagem. Dias atrás, a cena se repetiu, lá estava um carro obstruindo a entrada de minha garagem! Deixei um recado no parabrisa informando do “equívoco” e pedindo que isto não mais aconteça. No meu pensamento, a pessoa nem iria ver o recado ou então, no máximo, faria uma galhofa de minha cara de bobo, em perder tempo deixando bilhete. Para minha surpresa, recebi na minha caixa de correios um pedido de desculpas que considerei sincero, sem agressividade ou ironia. Sinto que a luta pela sobrevivência aqui em Parauapebas faz com que muitas pessoas se sintam transtornadas, armadas até os dentes, nervosas como um fio desencapado. Quando se reconhece uma falha, na maioria das vezes a pessoa que reclama se sente desarmada, sem graça, constrangida em rebater de forma feroz. Esta cidade está apenas começando e depende de nós agirmos de forma prudente e equilibrada para conseguirmos o que queremos.

Encomendador

 Não tem essa de que a pessoa não vê televisão porque não tem tempo, ta lendo e etc.. Ela está disseminada em todas as casas e alastrada por todos os rincões. Venha com essa não, embarque nesse carrossel!  E  agora não é so a globo, aliás, já deixou longe de ser exclusividade da Globo. As outras meninas também tem. Aliás, antes tinha o tal padrão globo de qualidade e hoje tem uma chusma de rede, tudo imitando uma à outra. Graças a Deus que acabou isso? 

Que nada. Agora o povão diz, Disse na TV eu vi, disse na TV!  Se disse na TV é o indício mais claro de veracidade. E o pior é que elas, as televisões copiam a vida real e vice e versa. Todo mundo ficou estarrecido com a Suzane Richtoffen, que matou pai e mãe. Mas todo mundo viu com normalidade o tal “encomendador’ ser morto pelo próprio filho. E a mulher ta presa e continua sendo julgada e condenada. E logo logo  o Comendador vem repaginado e faz um galã em outra novela que faz suspirar o coração da mulherada. Ah, o encomendador! Gilberto Braga é um gênio, criou a Lurdinha e a Odete Roitman.

Aí as mulheres dizem para o  o encomendador:” isso é que é homem, não é o ...Deixa pra lá!”. A Suzane , se passar vinte anos na cadeia, será sempre a bruxa. É terrível o que ela fez. Nefasto. Mas a Lei é clara. Cumpriu a pena, pagou pelo crime. A Lei Divina, para quem crê é outra coisa, mas pela Lei daqui, deixa a mulher cumprir o crime dela ou então que predam o autor da novela que ta ensinando os meninos a matarem os pais, pode ser incitação ao crime?. 

Que prendam o diretor, o presidente da emissora. Certo ta o Zeferino que comprovou um "atelevisor" e agora a mulher quando ele chega do trabalho não ta com a janta pronta porque ta assistindo novela.Ele diz que se soubesse,  não teria comprado porque tá com um cabaré em casa  e não sabia.E outra, trocaram o beijo técnico por pegada técnica. O casal bebe um whisquinho  e dá-lhe , Caraguatatuba! Meus meninos desviam o olhar e eu faço questão de mostrar, olha lá, o que a TV ensina! Olha bem direito.

Agora eu me pergunto, será que o Carl Sagan um cientista, astrobiólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor e divulgador científico norte-americano,  autor de mais de 600 publicações científicas , e também autor de mais de 20 livros de ciência e ficção científica. E que foi grande defensor do  uso dométodo científico, e promoção da busca por inteligência, perderia tempo assistindo malhação. Eu tô falando, a meta do mundo é fazer com que a gente fique burro, muito burro demais. Ô, ô, ô, ô! Sagan foi um dos primeiros cientistas a estudar o efeito estufa em escala planetária. Também fundou a organização não governamental Sociedade Planetária e foi pioneiro no ramo da ciência exobiologia

Ariano Suassuna diria: Viiixe, mas num é um cara que tinha um programa domingo de manhã na Globo e ninguém assistia? O trem ta feio pra desviar a atenção da moçada. Peraí, deixa eu quebrar a televisão porque vai começar a novela.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

APRENDI DIRIGIR AOS 40 E VC VAI PASSAR NO CONCURSO



Eu aprendi a dirigir com mais de 40anos de idade. O que?? Acha que é brincadeira? Sério!!Meu pai era cheio da bufunfa, cheio das regalias, quatro, cinco carrões, mas para os filhos, necas. Gostava de competir com os filhos. Dó dele. Mas fui buscar, no meio de minhas frustações de garoto que não sabia dirigir,  companheiros ilustres como . Jean Paul Sartre, Nelson Rodrigues,Xico Sá, Woody Allen e  Paulo Francis, Ed Motta. Eu não sabia não sabendo mesmo! Andava de taxi pra lá e para cá. Conhecia quase todos os taxistas de Parauapebas. Cláudio, Grande, Madeira, Juarez, Seu Cari, Carizinho. Somente quando a coisa ficou insustentável é que tive que comprar o carro. Mas, calma! Fiz auto escola, fiquei a permissão todinha sem dirigir e só depois de um ano me arrisquei. Levei um amigo na concessionária para trazer o carro, morto de vergonha.Primeira vez que saí com o carro eu me senti pressionado. Poxa, eu com o carro na garagem vou chamar um taxi?? É o cúmulo do absurdo.É um atestado de incompetência. Peguei o carro e saí sozinho, tinha carteira e tudo! Se acontecesse alguma coisa, pelo menos somente eu arriscava só a minha vida. No final, nada de mais, um arranhãozinho numa bicicleta aqui, uma esbarradinha numa moto acolá e volta pra casa são e salvo. Eu já tinha pesquisado, como auto defesa, as pessoas ilustres que não dirigiam mas isso não adianta nada. Na hora do vamo ver, aquela resposta era angustiante: "Eu não sei dirigir"...Mas como assim, doutor...não sabe dirigir??? Era caçar briga comigo. Alguns “amigos da onça” tiram onda comigo e falam que não sei dirigir até hoje, mas qual o quê! Sou um lobo do volante e tenho um fã que supera todos os que me detratam: meu filho. Ah se eu não soubesse dirigir até hoje, imagino a frustração daquele menino. Ele so pensa em moto, carro, quadriciclo ( o sonho dele) tudo que tem pneu e motor. O meu era mais simples, saber dirigir nesse trânsito caótico de nossa cidade é uma grande vitória, por isso preciso de um carro meio brutamontezinho. Aliás, sou um fã de automobilismo, ou era. Até 94. Ou no máximo até Michael Schumacher, o último dos mitos.Sim, era de acordar de manhã, de assistir os treinos, torcia para Piquet, mas hoje reconheço o grande talento de Senna, Prost, Mansell, Berguer, Lauda, Rosberg. E os antigões, como Stewart, Jim Clarck, Villeneuve, que morreu tragicamente. Fittipaldi, José Carlos Pace, Ronnie Petterson. Sim, eu era fã de Speed Racer , lamento os que não o conheceram. Eu tinha que saber dirigir, era meu sonho; que sonho simples. Hoje eu me sinto um vencedor quando estou dirigindo, escutando música no carro; para mim é algo que me deixa feliz. Mas o  maior piloto de todos , incluindo todos os que falei é o Rubens Barrichelo, que ta vivinho da silva e é um espectador de quase todos os mitos que citei e ainda faz piada de si mesmo, até com o ruivo da vivo,  e rir de si mesmo é coisa que só os grandes conseguem. Vivi a época em que queriam disputar, (não como meu pai disputava comigo) todos esses monstros sagrados, que a Formula Indy era mais emocionante que a Fórmula 1. Para mim, deveria ter uma pontuação a parte. Os grande e os medíocres, Os medíocres são Alonso, Vettel, Hamilton, > Nada de mal contra eles, apenas são medianos, não dá para comparar. Eu que aprendi a dirigir depois dos 40 mas dirijo mais que o Vettel. Manda ele vir dirigir no nosso trânsito. Ô, se não! So não me peça para provar. Por isso que quando vejo alguém achar impossível passar numa prova, em um concurso, dou esse meu exemplo como injeção de ânimo, pois hoje em dia, qualquer menino de 18 anos sabe dirigir e eu entrava em pânico dentro de um carro. É que o medo não envelhece, esse velhaco que impede a gente de alcançar sonhos tão simples. Neste concurso, façacomo se estivesse aprendendo a dirigir depois de velho, como eu. Estude, creia, persista! Seja lá a idade que tenha. Os sonhos não envelhecem também, o que atrapalha é a incapacidade de enfrentar o novo, de provar para si mesmo que vc é capaz.. Estude, você vai passar!