terça-feira, 16 de setembro de 2014

Belos do Mundo

 

Sim, é o que me propõem, em ser mais um covarde, mais um omisso

Mas vale a pena calar-se e ver o mundo desabar?

Não mais colocarei os sonhos capazes de serem reais

Eles nunca serão, os descontentes estão em todo lugar

Mas contentam-se em calar, ranger os dentes, falar com a boca fechada

Dos projetos rompidos, contratos não pagos, palavras mal ditas

Sim, o covarde, como disse o poeta em seu poema em linha reta.

Aquele que é o espectador do mundo, que vê o filme calado,

E quando as letras sobem, ele desce, cada vez mais

E sai de fininho para casa, em busca da irreal paz.

Vai, Pedro, no mundo, negue mais três vezes,

Até ter a coragem de morrer de cabeça para baixo

E sentir que isso não é nada ante a beleza da causa.

Por algo que valha a pena, a vida é grande, Pedro, há tempo.

Torto o mundo, belo mundo, lugar de reis do mundo, rei mundo

Ávidos por migalhas, sabendo que são trocados por um punhado de farinha

Belos do mundo, seios maternos, leite que sacia, amor que acaricia.

Belo mundo que traz em seu seio Gaia, homens honrados, mas calados.

Enquanto a desonra assola, a covardia do bom homem

se isola num quarto a sete chaves, por medo.

Não enfrentarei o mundo, mas quem disse que o mundo são deles?

Ele é meu e não é utopia, é mais do que o horizonte de Galeano

que se distancia para podermos caminhar.

Mas quantos vêm os próprios passos, em quantos há braços

Capazes de lutar, abraçar, acordar cedo, ir a luta, trabalhar.

Fazer o que é certo e lutar para não cair na teia da facilidade

Essa é a beleza do mundo, rei mundo.

Não ver o cisco, ver a montanha, andar até a montanha

Convencer os covardes que a montanha é menor

que o sonho da gente e que na verdade os covardes são carentes

Presos em um cárcere de mente demente desmente dez mentem

Podem ser um milhão, mas eu sei que estou aqui.

Eu não preciso mentir, eu não preciso correr do desafio

É apenas o rei mundo, um rei sem trono, sem fidalguia

Um rei que é um boneco costurado, fantoche que escolhe lado

Quando o que deveríamos é ser um todo, saindo do lodo

Da hipocrisia, da desconfiança, como um cão em sua ânsia de fome,

Cercando o seu alimento do dia, rosnando e lambendo as botas do seu dono.

Não somos cães, somos homens, podemos ver além.

Cães, macacos, veados, antas, jumentos são sagrados.

E ainda há animais que vê nos homens insultos banais

Quem faz o certo e o errado são os homens que pensam que pensam.

-Anda, vamos ficar calados, sentados,

Assistindo o rei mundo desabar com o mundo

Além da covardia de se omitir, de se calar,

Há quem ache que se colocar de frente no front é insanidade.

Defender o que é bom é enfiar-se pelas cobertas e dormir.

E há quem enfrenta o rei mundo apenas por prata

Herói de mentira no mundo do rei mundo

E furtivamente planeja encher o embornal

com um punhado de pão de ló, Mar, Figueira

“Tive muita dô di num tê nada
pensano qui êsse mundo é tudo tê
mais só dispois di pená pela istrada
beleza na pobreza é qui vim vê”

Não quero dormir o sono covarde, sem paz, sem nobreza.

Sim, Dorival, Marina se pintou, Dilma se maquiou,

Aécio quis avidamente mas o rei mundo ganhou, perdendo.

Tirando a nossa esperança, nos desencorajando.

A nossa? A sua, não minha. Eu sei que há Pessoas no mundo

e eu ouço, quando as pessoas nobres dizem:

“Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida.”

Príncipes de Maq, príncipes do rei mundo, mas há manfredinis

Que mesmo com o bilhete de ida nas mãos, deixam esperança

E é nesse poço que eu bebo água limpa

Não, não choremos, o pássaro trouxe em seu bico um ramo verde.

Os príncipes do rei mundo se calaram ante a coragem do homem

Não haverá mais aquele guia cego, todos saberão onde ir.

“E nossa história não estará pelo avesso, assim
Sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá, vamos viver, temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás, apenas começamos;
O mundo começa agora, apenas começamos.

( Olinto Campos Vieira 16/09/2014)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

SÃO (SEREMOS) TREZENTOS?

Eu quero um País que saiba respeitar suas leis, que tenha um povo que saiba em quem votar, que conheça essa pessoa não apenas pelo que ela mostra nos dias que antecedem um pleito eleitoral. Quero votar em um presidente que honre o seu lugar, que pelo menos saiba que lugar é esse que está ocupando, que não se enfie em picaretagens, pois já houve quem disse que são trezentos picaretas e já houve quem cantasse e não canta mais, :”são trezentos picaretas.” Mas não é esse o problema, o problema é não nos tornarmos trezentos milhões de picaretas. Sim, porque o exemplo que vem de cima induz quem está “abaixo” na escala social a achar que tudo é válido. Que ganhar com pênalti roubado é mais gostoso. Santo, eu? Longe disso. Tenho é medo de o redemoinho ser forte demais e virar um furacão que leva o que tem pela frente. O que tem pela frente somos nós, são nossos filhos, são nossos pais, os que estão aqui e os que não estão mais, o bom exemplo que deixaram para nós. Ninguém, em sã consciência dá um mau conselho para um filho de 10 anos, que roubar é natural, que passar a perna é normal. Mas entre “fazer o que falo e não fazer o que faço” há uma distância a percorrer. Vejo sim os jogos da Seleção Brasileira. Torço, grito e me descabelo ( impossível, né?). Mas tudo por pura brincadeira. Um jogo. Uma competição. Algumas pessoas ficam tão fora de si que vibram quando o outro perde, fora das raias da rivalidade normal. Agora mesmo sinto uma euforia de alguns com a eliminação da seleção espanhola. Felicidade com tristeza alheia, sai de mim... Sei que nos bastidores do futebol tem trezentas mil coisas escusas. Mas não é boicotando algo tão bonito como é o futebol que irei efetivar minha indignação. Futebol é um jogo ímpar. São pessoas que devem estar entrosadas, integradas, falando a mesma linguagem, obedecer normas. Os capitães se cumprimentam respeitosamente. Há jogadas violentas que são punidas com advertência e expulsão imediata. Nunca vi um expulso no futebol permanecer em campo através de habeas corpus ou embargos infringentes. Há um vencedor e quando ele existe, há um perdedor, que mesmo irresignando-se, na grande maioria das vezes se conforma ( raras exceções tricolores). Há empates, como o de ontem, dia 17, o que mostra que não há barreiras intransponíveis e que o “insignificante” e desempregado goleiro do México pode ser o melhor goleiro do mundo. E eu torço que seja mesmo! Lógico, estão tentando e infelizmente, quase conseguindo, transformar o futebol em um produto totalmente diverso do que é. Dinheiro. Mistura-se com a pior política. Dilma é presidente eleita, se dispôs a isso, deveria estar acostumada a correr risco de vaias, isso é quase nada diante das responsabilidades que tem. Mas as ofensas eu repudio. Qualquer uma delas. Seja a quem for. Ofensa é falta de argumentos e temos muito argumentos, todos nós, os trezentos milhões de picare....digo, cidadãos. Quem colocou os políticos no poder fomos nós. Não podemos nos esquecer disso. Li outro dia um acontecido que foi narrado por meu irmão, o grande e querido Tião, que “um dia o Presidente Juscelino Kubitschek levou uma tremenda vaia no auditório da Faculdade de Direito de São Paulo. Por mais de 3 minutos o presidente da república foi vaiado. Juscelino em pé, altivo, com toda dignidade esperou que a vaia terminasse. em seguida, pegou o microfone e assim falou para os mais de 2.000 estudantes presentes: " Feliz é um povo que pode vaiar seu próprio presidente"! Dizem que durante mais de 3 minutos foi aplaudido. Respeito se conquista. Não vem por decreto nem posição de cargo.” O que acho que podemos fazer é saber separar mesmo, o bom do ruim. Hoje em dia a mídia se transformou em um celular, está tudo escancarado. O fato é que não conseguimos enxergar o que era há dez, vinte ou cinquenta anos atrás. Tudo sob as cortinas do obscurantismo. Temos que ter a nossa voz própria e a nossa cabeça feita por nós mesmos, não podemos nunca perder a capacidade de nos indignar, mas não podemos perder a capacidade de abrir o campo de visão, enxergar além, se colocar no lugar de ser capaz de transformar para melhor nosso País. Milton Nascimento diz em uma canção que “ficar de frente para o mar, de costas para o Brasil, não vai fazer deste lugar um bom País.”

COLUNA DO OLINTO, PUBLICADA SEMANALMENTE NO JORNAL REGIONAL DE PARAUAPEBAS

segunda-feira, 26 de maio de 2014

COPA NO BRASIL, FORA DO BRASIL, DENTRO DO BRASIL. FORA DO BRASIL...

 “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo!”. Os times entram em campo para delírio da plateia que canta de emoção, gritando um por um o nome de seus ídolos. É o futebol brasileiro em campo minha gente! De um lado Dilma e de outro Aécio. Na reserva ficam Eduardo Campos e Marina Silva. Assistindo tudo está o povo, aquele mesmo que foi às ruas por causa de que mesmo? Ah, 20 centavos. Me lembro que de 1970 a 1986 vivíamos a ditadura militar. Me lembro direitinho da Copa de 74, do gol de Nelinho, curva fantástica! Gol de Zico contra a Itália, invalidado. “Apesar de você, amanhã há de ser, outro dia”, cantava Chico Buarque. Me lembro de 78, na Argentina, a torcida ferrenha para o Brasil, a vergonhosa goleada (que dizem até hoje que foi comprada) da Argentina no Peru, que tirou a chance dos brasileiros. “Hoje vc é quem manda falou tá falado não tem discussão, não!” Repetia Chico. E a torcida era uma só: “70, 80, 90 milhões em ação, avante Brasil, salve a seleção!” Não foi dessa vez, Geisel, Figueiredo. Em 82 o Brasil começava a vislumbrar um arremedo de democracia, eleitos governadores Tancredo, Arraes, Brizola. Geração de Mário Covas, início do PT. E nada de ganharmos a copa de novo, caramba!. 1982! Um timaço, alguns dizem que foi a melhor seleção de todos os tempos. Na minha cidade, interior de minas, a revolta foi tamanha que houve uma descarga de ira na derrota para a Itália, que nunca vi igual. Algo estava engasgado na garganta do brasileiro, não era apenas o futebol. Não podia ser apenas o futebol. Cada derrota era como se mexesse com os brios do Brasil. Só tínhamos o futebol, como perder para times medíocres? E os prefeitos, os governadores, os deputados? Quem era o presidente da Câmara dos Deputados em 82? Quem era o Presidente da República em 82? Qual era o time do Brasil em 82? Todo mundo sabe... Em 86, cabelos compridos, barba e uma faixa na cabeça, o grande jogador Sócrates foi um dos símbolos da Copa do Mundo. Na partida de estreia da Seleção contra a Espanha, o meia entrou em campo com uma faixa branca amarrada na cabeça , gesto que se repetiu a cada jogo do Brasil, até ser eliminado nas oitavas de final. Essa foi a forma que o jogador encontrou de manifestar suas preocupações. Na primeira vez, a faixa trazia dizeres de apoio ao México, sede da competição, que sofria com os efeitos de um recente terremoto em sua capital. Nas outras partidas, exibia palavras contra a fome, as guerras, o racismo e o imperialismo. Mais uma vez perdemos, ‘dramaticamente’, como se um jogo de futebol nos arrancasse a alma. Quem era o presidente do STF em 1986? Hein? Você que vai boicotar a copa do mundo, sabe? “- Ah, eu nem era nascido!”. 1990, outro fiasco no Brasil, hiperinflação! Só quem viveu, sabe o que foi. Não havia celular, facebook, zap-zap, internet, Steve Jobs. Todo mundo de olho na TV sem controle remoto. Plim, Plim! É agora Brasiiiiil! Não se viu boicote. Nas décadas de 80 e 90 a população se "armava" com calculadoras para checar o real valor do suado dinheiro. No auge dessa hiperinflação, o trabalhador recebia o salário no dia 1º e já corria para o mercado porque sabia que no dia 30 estaria com toda aquela inflação embutida, mesmo que ela não viesse a ocorrer. Desde 1981, o Brasil teve seis moedas diferentes e 16 ministros da Fazenda. Diante da escalada inflacionária, as palavras "recorde" e "histórico" eram frequentes nas manchetes dos jornais. A inflação acumulada no País durante a década de 80 foi de 36.850.000%, como apontou texto de O Estado de S.Paulo da época. A torcida para o Brasil tetracampeão continuava. 1990. Não foi daquela vez, perdemos, e logo para quem? Los Hermanos. Maradona e Cannigia, os grandes vilões do povo Brasileiro, os causadores do mal. A encarnação do Saci Pererê de cinco pernas. O presidente era quem? Essa eu vou entregar: Sarney! Em 94, finalmente a redenção. Brasil Campeão do Mundo! É tetra, é tetra!!! Grita Galvão, chora Pelé, chora Brasil. Sorri Brasil. Chora ou sorri? Quem era o presidente quando o Brasil ganhou a copa de 94? Fala sem ir para o Google! Vou entregar, ele era vice do Collor. 98, jogadores bombados, cheios de estilo, futebol meio diferente. Dinheiro na jogada, Ricardo Teixeira reinando. FHC comandando. Ronaldo amarelando. Vai que é suuuuua, Taffarel! Tem nada não, 2002 vem aí. E veio. Aí o futebol já era mero coadjunvante há muito tempo. O principal era a mídia inrriba. Brasilsão meio pra lá, meio pra cá. Real-mente! “Ganhemo!” “Fumo e busquemo”! Jogadores que dariam vergonha no Sócrates. Milionários, semianalfabetos, carrões turbinados e caros, mansões com fontes iluminadas na sala, orgias, discursos prontos nas coletivas, coçando a nuca. Estilo padronizado: Brinquinho de diamante ( nada contra), tatuagem de Axl Rose, metrossexuais, carecas e cabeludos com tiara, chuteiras coloridas. Um circo sem futebol. Em 2006 e 2010 nós perdemos. Nós? Nós, quem cara pálida? Todos os jogadores brasileiros já eram europeus. Já jogavam bananas neles desde aquela época, como jogam até hoje. Sejam brancos ou negros. O jogador de futebol brasileiro virou uma raça desconhecida tanto no exterior como aqui. Despolitizado, endinheirado e discriminado, “coitadinho”. Agora, só porque a copa é no Brasil, eu vou ficar com pendenga, me servindo de palanque para candidatos que utilizam milimetricamente toda essa lambança para a política partidária? Quem não tem consciência política que procure ter. Durante a copa, vou agir do jeitinho que eu fazia nas outras. Ligo a TV três vezes, uma no começo do jogo, outra no meio e outra no final. E vou torcer para o Brasil. Entendam como quiser! E que o futebol, coragem, a atitude e o estilo de Sócrates, em 1986, sirvam de inspiração para os jogadores. E para o povo. COLUNA DO OLINTO PUBLICADA SEMANALMENTE NO JORNAL REGIONAL DE PARAUAPEBAS

quarta-feira, 21 de maio de 2014

AMIGOS A GENTE ENCONTRA

E eu estava em Padre Paraíso, advogado formado. Boas perspectivas, pois minha cidade sempre confiou em mim; sempre me deram mais créditos do que eu penso que tenho. Mas eu sentia que precisava voar, mostrar pra mim mesmo que as minhas asas não eram de brinquedo, que eu podia alçar vôo. Não para alcançar riqueza, nunca sonhei isso para mim. E não tenham isso como mediocridade e sim como aquele sonho de menino ( como diz a música do Paulinho Pedra Azul: " quando era menino eu via a lua saindo, pensava aqui comigo, um dia eu vou lá"; sempre quis o suficiente. Vc sabe quando precisa respirar novos ares, ter novas experiências, mesmo sabendo que suas raízes estão firmemente plantadas; isto não lhe tira suas origens, elas permanecem no coração, no convívio geograficamente distante. Sempre disse que não tenho saudade de minha terra pois eu nunca saí. Mesmo. Os meus melhores amigos continuam meus melhores amigos. Amizade de 40 anos, que é isso?! Que dinheiro compra? Que bom sentir isso. E quando me preparei para vir para Parauapebas, lembro-me direitinho, despedi-me aos poucos, não fiz alardes. No dia da "despedida", formou-se uma pequena fila de cinco pessoas na porta da minha casa, a mesma que eu cresci e vivi durante anos e anos. Cheia de lembranças. Estavam meu pai, que despedi com um até logo meio sem graça e pedi a benção, minha mãe, minha amiga e confidente, que despedi com um até logo, também pedindo a benção, segurando as lágrimas e meu irmão Samarone. Dos outros, Jeffson Campos Vieira, o Gera, Lincoln Campos Vieira e Sebastião Vieiraeu ja tinha me despedido. Assim como ja havia me despedido de meus primos Raimundo Luiz e Toninhodebaiano Vieiradutra em especial, e minha avó, que beirava os 100 anos ( morreu com 104). Minha avó era muito ligada comigo, eu trago o nome do seu esposo, meu avô Olinto Vieira, homem de bom caráter, que tenho feito o possível para honrar um décimo do homem digno e de moral que ele foi. Quem me levou até Belo Horizonte foi Bertinho do DNER, acho que ele nem se lembra disso. Saímos, era de tarde e eu iria pegar o vôo pela manhã em Belo Horizonte. Estrada de 600 e poucos quilômetros. Assim que o carro fez a curva da saída da cidade eu não consegui segurar o choro conpulsivo. Fiquei com vergonha de Bertinho, mas ele, pelo silêncio que fez, sei que me entendeu. Esta história não seria possível se não fosse o convite de Wellington Valente e Bel Mesquita. E na minha cabeça, uma música:
"Amigos a gente encontra
O mundo não é só aqui
Repare naquela estrada
Que distância nos levará
As coisas que eu tenho aqui
Na certa terei por lá
Segredos de um caminhão
Fronteiras por desvendar
Não diga que eu me perdi
Não mande me procurar
Cidades que eu nunca vi
São casas de braços a me agasalhar
Passar como passam os dias
Se o calendário acabar
Eu faço contar o tempo outra vez, sim
Tudo outra vez a passar
Não diga que eu fiquei sozinho
Não mande alguém me acompanhar
Repare, a multidão precisa
De alguém mais alto a lhe guiar
Quem me levará sou eu
QUEM REGRESSARÁ SOU EU
Não diga que eu não levo a Guia
De quem souber me amar"

Coluna do olinto semanalmente no JORNAL REGIONAL DE PARAUAPEBAS
olinto.vieira@gmail.com

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O DATENA FALOU, O BONNER AVISOU

As notícias nacionais e locais fazem visíveis as veias abertas da criminalidade, mostrando que, infelizmente, vivemos em clima de insegurança mundial. Lá fora o terrorismo e a intransigência política e religiosa fazem vítimas,  pessoas inocentes que trafegam pelas ruas dos grandes centros mundiais. Nova York, Madri, Londres, nenhum lugar está tranquilo. Aqui no Brasil, o País da Paz e do Amor! – lincha-se primeiro para perguntar “será que era essa mesmo?” depois! Quer pior terrorismo do que este? Que mundo é esse que vivemos, onde nada mais nos surpreende?! Ou somente surpreende por alguns minutos e a gente vai ali e come um sanduíche com bastaaaaante catchup e ta tudo bem. Quando pensamos que há tragédias demais acontecendo, o homem nos arrebata com situações mirabolantes, maleficamente criativas, difíceis de acreditar. Assaltos  e linchamentos à luz do dia nos dá um sinal de que devemos estar atentos o tempo todo. A garota que morreu por causa de um telefone celular é um retrato do tostão furado que virou a vida humana para alguns espécimes de gente. Foi morta por um menor que antes de aprender a lidar com lápis e caderno, soube lidar habilmente com uma arma de fogo. Suficientemente hábil a ponto de tirar a vida de uma jovem com uma vida inteira pela frente. O homicida, menor de idade,  é considerado pela lei penal brasileira como “incapaz de compreender o ato que cometeu”. Independente desse barulho, há  um imenso estrago produzido na família da jovem que morreu e o temor de todos nós, rezando para não sermos as próximas vítimas. Aliás, morrer pelas mãos de criança ou de adulto faz muito pouca diferença. Mentalidades criminosas como essas são perigosíssimas; até mais que os ditos bandidos da motocicleta, que agem de forma sorrateira, leviana e dissimulada, impunes para sempre, infelizmente. Mas há um fio invisível que liga todos esses meliantes em uma só estação. A televisão, o falso moralismo de algumas altas cortes com o crédito em queda desabalada,  as incitações de vingança, a exposição de fatos específicos e a cara da indignação do apresentador que vocifera: “bandidos, bandidos, tinham que ser queimados vivos! Mas na verdade e bem no fundo, eles querem a violência e mais do que isso, precisam da violência para viver! Cheiram azar de tudo o quanto é jeito! E incutem na cabeça dos manipulados que a culpa é do “bucéfalo anácrono” ladrão de galinhas, quando na realidade a solução está e sempre esteve nãos mãos dos manipulados, que acham que tudo era apenas por 20 centavos, mas isso é outra história. Datena e Bonner, qual a diferença?

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Não sabemos do próximo segundo

E estava eu tranquilo no carro, mesmo com o trânsito estafante, calor insuportável apesar do ar condicionado ligado ao máximo, ouvindo um disco de bossa nova antigo de Tom e Elis que ganhei de uma atriz amiga e fumando dentro do carro fechado. Deixei para trás o pensamento de que um dia largaria o cigarro; rendi-me a ele, meu companheiro de solidão, de desabafo do stress. Eu estava cansado após mais um dia de trabalho, mas satisfeito pelas tarefas cumpridas. Uma manhã de gravação, uma tarde de roteiro escrito e já editado, de uma peça que quero dirigir ainda este ano. Recebi dois convites para trabalhos novos e um convite para participação em um filme norte americano meio cult, com direção do Tarantino. Como as pessoas gostam de ser “Cult”. Tarantino já deixou de ser  a muito tempo, mas volta e meia vem com seus alternativos. Gosto muito do underground, apesar de ser tão popular; olha só: sertão popular! Rio de mim mesmo. As vezes nem lembro que sou cearense, apesar de adorar o Ceará. Virei cidadão do mundo., que coisa impressionante! Aliás, nunca soube porque sou tão popular. Claro que fiz papéis que o povo se identificou, mas não foi minha intenção buscar os olhares do povo, apesar de me sentir do povo. AAi! Queimei minha mão com a brasa do cigarro! Agora sim, um dia ainda largo essa coisa! Preciso caminhar, ir para uma academia, já não sou mais menino, aliás, já estou chegando aos setenta. Meu Deus! Setenta! Nunca pensei que essa idade chegaria para mim. Mas ainda não chegou e me lembro da música dos Beatles, onde Paul, com vinte e poucos anos canta “When I’m sixty-four”. Ele pergunta assim na música, como é mesmo?: “Quando eu ficar mais velho, Perdendo meu cabelo Muitos anos adiante, Você ainda irá me mandar presentes no dia dos namorados? Saudações no aniversário, garrafa de vinho?” Eu escutei esta música quando foi lançada e hoje tenho mais de sessenta e quatro; perdendo os cabelos, ficando sem fôlego, tossindo, pagando uma fortuna de plano de saúde. Mas, puxa vida, não me sinto velho, estou no meu auge de criatividade. Cadê o cigarro, deixei aqui no porta luvas! Puxa! Deixei o pacote no bagageiro! Como vou parar o carro neste engarrafamento? Comprei uma esteira mas não aguento dez minutos, o peito arde de dor. É o cigarro, que não me larga! Acendo mais um e aceno para os fãs que me reconhecem mesmo com o vidro do carro escuro e fechado. So tem mais um cigarro e falta mais quarenta minutos para chegar em casa. Vou aproveitar o sinal fechado e pegar o cigarro lá atrás. Não, olha ali um cara vendendo água, vou comprar aquele maço de cigarros dele. Abaixo o vidro e grito: “Ei, você!!” –Quem, eu? Sim, me dá uma água e essa sua carteira de cigarros que ta pela metade aí no seu bolso. Toma aqui cinquentinha.” – “Cinquenta conto? Demorô, dotô!! Ei vc não é aquele cara, o Roque Santeiro?” “–Que Roque santeiro, p.!” respondi sorrindo e o vendedor saiu correndo com a nota novinha que eu tinha tirado no Projac pela manhã. Putz, agora que eu comprei esse cigarro fedido e caro o trânsito anda.... Doido para chegar em casa e tomar um banho! Pronto, ainda bem que o estacionamento do meu prédio é enorme, tenho três vagas, para não me estressar. Que tosse! Nem sei se vou sair hoje, acho que vou ouvir este CD da Elis mais umas duas vezes, pedir um delivery qualquer e dormir cedo. Oba! ninguém no elevador para encher o saco com meu cigarro! A empregada já foi embora e o apartamento está limpinho, vou procurar meu roupão branco que pedi para ela deixar em cima da cama. Que isso??? Que tontura é essa?! parece que tô desligando! The End!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

ADVOCACIA

Todos merecem defesa, seja qual for o crime, seja qual a cor, seja qual for a situação, seja qual time que torce. Nos porões das penitenciárias existem hoje pessoas arrependidas que tem o caráter atrofiado pelo inferno que é a falta de liberdade e a companhia dos que não sabem viver outra vida, em um sub-mundo, um mundo paralelo, inimaginável para a maioria das pessoas ditas normais, que em alguns casos, padecem de vícios, por vezes muito maiores que os que alí estão. Fui criminalista na essência, ainda está dentro de mim e revivi todo esta minha vocação ontem. Me formei em 1994, então, estarei fazendo este ano, 20 anos de advocacia. Com muita honra, na turma de 1994, de ilustres profissionais, como Rosane Magalhaes, Batista João, Abner Guedes, Elcimar Almeida de Paula, Elindomar Alves, Neilando Pimenta, Tercia Rodrigues Vieira Vieira, Patrícia e Ingrid Guedes Barrack, João Marcos Zimerer , que nos deixou ainda no primeiro ano. Tive ilustres professores. Tive a honra de ter estagiado por tres anos com Wander Lister Carvalho Sá, um dos maiores mestres em advocacia e humanidade que ja conheci. Sim, me lembro que ha treze anos atrás, fiz um Juri em santana do Araguaia que concluiu as 2 da madrugada e no final, um dos policiais se dirigiu a mim, com lágrima nos olhos dizendo: Doutor, hoje eu descobri minha vocação, serei advogado do Tribunal do Juri.

MANUELZÃO

Manoel Vieira, meu pai, não é um personagem mas poderia ser; tantas histórias são contadas que não parecem verdadeiras, mas são; e se não são, nem importa mais.Hoje estou aqui em Janaúba com ele. Libertário, contrário a opressão, tricolor que grita com cada jogada do seu time. Me deu plena liberdade de ser atleticano, e nem poderia ser contra.Era avesso aos ditadores que se implantaram no Brasil, deu liberdade para sermos o que quiséssemos, quando estávamos na sua casa (sob a sua batuta) " Você pode ser isto, mas não aquilo, pode ser aquilo, mas não isto" " Faz o que eu mando e esquece o que vc sabe!" Eita ferro, melhor escutar isso do que ser surdo (rs). Saí de Padre Paraíso não por necessidade, poderia estar exercendo meu ofício em minha terra natal, sendo valorizado, como sou em Parauapebas. Mas eu senti necessidade de ser Olinto, fazer um caminho meu. E com a personalidade forte dele, eu pensava que seria Olinto de Manoel Vieira , como sou até hoje. Olintão de Manoel Vieira, com muita honra. As vezes nos rebelávamos mas ele foi um rebelde sem causa quando menino ( e parece que ainda hoje é). Resolvemos todas as 'paradas' de pai e filho. Tive a felicidade de ser um instrumento de ligação espiritual dele com o Sagrado, graças a autorização de um grande e querido amigo Victor Sabbagh. E ao contrário do que pensam alguns, Manoel Vieira não é um matutão. É um Mestre maçom, com conhecimentos da Grande Ordem. Nada contra os matutos pois me considero um deles, por minha origem, do Geraisão, das histórias pitorescas e únicas. Quando penso que as histórias dele acabaram, vem uma pessoa e me chega com uma história engraçada, humana, original, dele. É meu pai, e sou o filho mais velho, o mais esperado, o que ganhou o nome do pai dele. Os outros vieram muito bem esperados também, mas quem abriu os olhos primeiro , dos filhos, na família fui eu, fazer o que? Um dia a Pastora Vanderly De Jesus, que mora nos Estados Unidos me contou que Manoel Vieira teve uma pequena participação na ida dela para os Estados Unidos, onde ela tem uma bonita família e uma história de vida dedicada a Deus. Um dia escrevo as memórias deste moço, pois se Guimarães Rosa estivesse vivo, ele teria outro Manuelzão!!

ERRAR FAZ PARTE DO SUCESSO

Certamente, você já passou algumas vezes pelo sentimento da frustração da derrota, ou até mesmo do fracasso. Eu também. Com trinta anos de idade depois de oito anos de uma fecunda experiência como professor universitário, fui contratado para meu primeiro seminário para executivos, na FGV. Trágica experiência. Nota final de avaliação muito abaixo do mínimo aceitável. Meu Coordenador foi implacável: “ou chega nestes padrões no próximo curso ou rua”. Tinha o caminho de chorar, buscar culpados, mas sei lá porque resolvi aceitar o desafio. Telefonei para os alunos, me reuni com alguns, assisti aulas de dois excelentes professores e cheguei a uma lista de cerca de cinqüenta erros. Tentei corrigir todos. Próximo curso: resultado acima do ideal. Uma pequena historia para motivar aqueles que estão hoje passando por um momento difícil. Errar, principalmente, neste mundo louco de hoje, faz parte do processo, é experiência integrante da vida. Para compreender melhor, pense alguns segundos antes de responder: “O grande vencedor da vida tem mais derrotas ou menos derrotas do que o grande perdedor da vida?”. Pensou. Pois é isto mesmo o grande vencedor da vida tem mais (aliás muito mais derrotas) do que o perdedor da vida. Na trajetória do sucesso não interessa o número de derrotas, mas sim o que se faz com elas. Os grandes triunfadores encaram os momentos difíceis de forma diferente. Para eles, problemas e até fracassos são degraus de aprendizado para as vitorias do futuro. Muitas vezes, nosso grande líder Bernardinho afirma: “Foi bom perder; só assim podemos descobrir alguns erros para nossas próximas conquistas”. Henry Ford de maneira brilhante nos ensina: “O fracasso é apenas uma oportunidade para recomeçar de maneira mais inteligente”. Thomas Edison foi ainda mais profundo e afirmou: “Eu não errei dez mil vezes tentando inventar a lâmpada elétrica. Eu descobri dez mil maneiras pelas quais ela não deveria ser feita”. Portanto, se você cometeu um erro, e se sente pagando o preço amargo da derrota, faça uma profunda avaliação dos fatos vivenciados. Fuja da desculpa verdadeira, aquela armadilha enganosa que nos isenta de qualquer responsabilidade e busca outros culpados. Lembre-se de Levis Minzer que afirmou: “Quando você aponta um dedo acusando alguém, três dedos se voltam na sua direção”. Use estes dedos para checar onde você efetivamente poderia ter feito de maneira diferente. Ao mesmo tempo, mesmo colocando sobre si sua real responsabilidade, não se sinta negativamente culpado. Coloque no seu modelo mental. “Tentei, mas errei, e isto faz parte da vida”. Converse com seu chefe e até seus companheiros sobre sua vontade de melhorar. Não se deixe abater. As pedras são comuns no caminho dos vencedores. Não é a toa que o brilhante erudito Max Weber nos ensinou: “O homem não teria alcançado o possível se diversas vezes não tivesse tentado o impossível”. No campo pragmático, no mundo de hoje o impossível só será vencido, através de um difícil jogo onde o saldo final será um enorme beneficio, mas também, um alto custo.Por paradoxal que possa parecer o erro faz parte do sucesso. ( Marco Aurélio Ferreira Viana)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

BOA FORTUNA!

Preocupado em ganhar a mega-sena da virada, meu amigo se questionou qual é o critério da sorte. Porque uns ganham e outros não? Será qual o motivo dessa virada do destino na vida de cada um? Eu digo que as vezes a gente pensa que ganha, mas perde. As vezes a pessoa pensa que perde e ganha mais do que uma mega-sena sozinho. Saber perceber o que se tem é uma raridade no mundo de hoje e a maioria dos problemas que temos, pensamos que o dinheiro consegue resolver. Não é bem assim. Quantas noites mal dormidas, ou dormindo o sono de plástico dos remédios que hipnotizam e fazem a pessoa acordar mais cansado do que quando foi dormir. Quanto vale o sono do corpo cansado e a mente tranqüila, que acorda revigorado para mais um dia de trabalho animado? Gratidão pela vida é o que posso sentir neste início de ano, pois o que passou Fo de superações, de vencer dificuldades. Mas as vezes o desânimo alheio contagia, contamina,. Sei que as coisas são difíceis mas e aqueles momentos que são de felicidade extrema, não contam? E aqueles dias em que você acordou pensando ser mais um dia qualquer e acontece algo que o torna inesquecível, de tão bom? As vezes passamos a vida a procurar coisas especiais, milagres, mágicas transformadoras e não percebemos que a mega-sena da virada é saber aproveitar aquele momento precioso, único. Saborear até o derradeiro gole de água em um dia super quente, sentir o bater do coração apressado do seu filho, em um momento de alegria ou o seu mesmo pulsar, em momentos inenarráveis, só seu! Cada um tem a felicidade que merece, pois a vida reserva tudo para nós. Este mundo todo é meu e seu. Arranjar coragem para perceber esta verdade é que poucos tem e digo isso para mim mesmo. Por vezes preferimos ruminar o que um desafortunado nos fez de mal do que abraçar o amigo que pouco se importa com a quantidade de reais que trazemos no bolso. Quanto vale aquela conversa que temos com os filhos, ensinando as coisas básicas da vida, que a gente já não nasce sabendo e precisa de um pai ou mãe de verdade para ensinar? As crianças, mesmo as de hoje, em sua grande maioria não estão preocupadas no dinheiro fácil e sim nas mais singelas coisas que qualquer criança de qualquer tempo. O que as estraga são os maus exemplos das pessoas perdedoras, competidoras, ambiciosas e invejosas. O maior inimigo de um filho pode ser o próprio pai, que lhe abre, sem querer (ou querendo) a porta para ser um mundo onde o cifrão tem mais valor que uma conversa. Neste ano, não me importa o que eu perdi e sim a experiência adquirida no ano que passou, esta é a verdadeira fortuna. E que a Luz que guiou os Reis Magos ao encontro de um Menino Iluminado possa também nos guiar até nosso mais precioso tesouro, e que saibamos reconhecer que este tesouro pode estar em um lugar ainda mais simples que uma manjedoura ou um estábulo. Que possamos abrir a porta de nossa casa para aqueles que valham a pena nela entrar. Que não encontremos as portas fechadas e que elas estejam sempre abertas, quando procurarmos, acompanhados de um sorriso e de um abraço: Feliz 2014!