quinta-feira, 6 de novembro de 2014

NÃO SE TRATA DE UM TIME QUALQUER

Existem centenas de clubes de futebol. Daqueles com sócio, carteirinha, clube, piscina, etc. Times com carnêzinho que o simpatizante paga todo mês, com direito a uniforme personalizado e autógrafo mecânico do ídolo. E existe o time de futebol. O que fez o futebol do Brasil ficar conhecido mundialmente foi um time que teve que costurar os números nas costas minutos antes da final contra a Suécia. E depois do jogo o Garrincha vendo todo mundo vibrar, ficou sem entender nada. “ Ué, acabou?”.

O que se viu outro dia, quando o Atlético foi campeão da Libertadores foi assim. O Galo precisava de um gol lá no México. Aos 47 do segundo tempo o Luanzinho foi lá e fez. E como um menino endoidecido, vibrou pulando, balançando aquela cabeleira e depois caiu no chão como sempre faz, chorou, emocionou todo o time, marcou com ferro em brasa o escudo do Galo no Coração. Fomos campeões da Libertadores nessa base aí. Da raça.

Saiu Ronaldinho. "Acabou o time." Não conhecem o Atlético.... Não conhecem mesmo! Fênix, renascendo das cinzas. Torcedores fiéis, sem carteirinha, sem sócios ( eu não sou). Tem torcedores!


Não sou um bitolado por ser atleticano, muito pelo contrário. Só eu sei as esquinas que ando passando, mas EU ACREDITO. Acredito em mim, acredito que vou virar esse jogo, acredito que amanhã será diferente, mas preciso lutar para que isso aconteça. Igualzinho o Atlético. Não, não somos um time comum. Temos derrotas sofridas, deixamos de ganhar campeonatos incríveis. Em 77 fomos vice campeões brasileiros invictos e com 11 pontos a frente do medíocre São Paulo. Somos grandes.

De onde não há mais força, sabemos onde buscar. E eu me recuso a ser pequeno, não por soberba, vaidade ou arrogância. Por humanidade. Por isso torço para o Atlético. Só o Atlético. Meus amigos sabem que gosto de futebol, que chamo carinhosamente de "chutebol", que era aquele antigo, ou melhor, aquele esporte de ontem contra o Flamengo, na raça, sem cartolagem, sem dinheiro na manga.

Visto sem pudor qualquer camisa porque acho lindo esse esporte. Mas no coração, sempre o Atlético. Por isso é que contra o Corinthians várias crianças passaram a torcer para o Atlético. Por isso é que aconteceu todo aquele Tsunami contra o Flamengo. Não preciso falar mais nada. Só digo que não há vitória inédita para o Galo.


Amanhã terá outra e outra e nós sempre acreditando, sem precisarmos ser sócios de carteirinha. Torcedores de coração! Jogadores que passaram pelo Galo são atleticanos. Ronaldinho ligou ontem para o presidente do Atlético. Reinaldo, Cerezo, Eder, Luizinho. Todos atleticanos, torcendo para o Luanzinho, para o Carlos, Tardelli, Marcos Rocha, Victor.

 Porquê somos Galo! Porque somos o símbolo que nada é impossível. Somos regidos pela Fé que Deus deixou, que o homem querendo, não há impossível. Serei sempre assim, se Deus quiser. Confiante em dias melhores, confiantes no amanhã, correndo e suando para fazer o hoje. Como aconteceu mitologicamente ontem. E Vivas ao Galo!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Calma Vivi

 

Calma Vivi, falta algo , seu poema,

que pra ser exato é mesmo sem rima,

porque vc já rima perfeitamente

com as convicções suas ,

Ruas, estradas, desertos, mares, lagos.

Quem quis ir contigo no Caminho de Santiago?

Companhia seria preciosa, al-vis-sa-rei-ra, assim mesmo,

lentamente dito, separando as sílabas.

Calma, mulher que expira fogo e inspiradora,

Original, cortante, fiel e segura, insegura, segura,

no prumo da vida, seu nome tem duas vezes VI-da,

sua ausência é um vazio, seu encontro não sei,

mas sendo você , já é. Já está , já cativou.

Eu vou lá ousar em não falar de você?

Logo você que "quebrou a lança, lançou no espaço" .

E eu li tantos desabafos, mas a ViVi tem ternura,

carinho de longe que sinto perto, não só te sigo;

Quem sabe quem é Vivi é a conhecença que não tenho

E não se discute, se ouve e vê esse arquipélago formoso

que o tempo vem moldando.

Como poderia, Vivi,não ter o seu poema torto,

mais pela mão incerta do quase poeta

pois você é certa no seu coração de amiga.

Calma Vivi, tô com a vida na mão!

Poema se faz devagarinho.

Imaginando qual a palavra vai tocar mais seu coração.

E seu coração selvagem e delicado

Apesar da pressa de viver;

Deve ter o ritmo da minha lenta poesia.

Me acalmo, Vivi. Calma também.

Eis aqui sua célula, seu poema!

Para Viviane Ruas

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Senhor Você

Não acredito em você

E escrevo com a letra minúscula,

Por que este é o desafio.

Se existisse, não haveria fome no mundo.

Por quê os aleijados, as guerras, famintos?

Por quê os doentes aumentam

E os tiranos também?

Não posso acreditar em você

Senão teríamos o Paraíso

Rios de iogurte e mel,

Grama verdinha, todos de branco

Música de Ennya ao fundo,

Sorrisos fáceis e gentilezas mil.

Mas temos desdentados,

Loucos, sofredores, viciados, crack

Deprimidos, mal amados.

Separações, tristeza, choro e ranger de dentes,

Como diz o seu livro sagrado. Por quê?

O que? Preciso aprender a sentir?

A andar, falar, ouvir, pedir?

Eu preciso mudar o rumo?

Eu preciso saber acreditar?

Mas e o caminho que percorri até agora?

“Baby essa estrada é comprida ela não tem saída

É hora de acordar
Pra ver o galo cantar
Pro mundo inteiro escutar

Baby a estória é a mesma
Aprendi na quaresma
Depois do carnaval
A carne é algo mortal
Com multa de avançar sinal

Todo jornal que eu leio
Me diz que a gente já era
Que já não é mais primavera
Oh baby, oh baby
A gente ainda nem começou”

Não! Não acredito em você

A ciência te explica

Por quê você não explica

A sua ciência, sua natureza?

Por quê você não explica Nada?

Não quero entender meu sentimento

Quero entender meu intelecto

Quero entender a ciência, a física

Hei de saber tudo. Ou vou ali na praça

Com o Zé, que vive dando milho aos pombos.

Não me venha com “sentir”

Nada de muito simples e fácil

“Extremamente fácil” é Nada.

Quero complicar o simples

Senão não tem graça.

Chaplin disse a Einstein

“Te admiro, por que é respeitado por algo

Que poucos entendem”

Einstein disse a Chaplin:

“Melhor é você, que todos entendem

Sem que seja preciso abrir a boca”

Não, não acredito em você

Eu sei, acreditar é muito pouco.

Não acredito em você, por quê

É preciso ter algo a menos

Para te entender

É preciso ser pequeno.

É preciso sem orgulho

É preciso ser ameno

Deixar todo o entulho.

Minha bagagem é grande demais.

Eu não quero nada menos que o ideal,

Mas preciso parar de arranjar desculpas

Para minha ignorância

Deixar de nublar minha glândula pineal.

Eu sei, feche a porta do seu quarto

Um dia falarei com Você

Por horas e horas e horas.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Belos do Mundo

 

Sim, é o que me propõem, em ser mais um covarde, mais um omisso

Mas vale a pena calar-se e ver o mundo desabar?

Não mais colocarei os sonhos capazes de serem reais

Eles nunca serão, os descontentes estão em todo lugar

Mas contentam-se em calar, ranger os dentes, falar com a boca fechada

Dos projetos rompidos, contratos não pagos, palavras mal ditas

Sim, o covarde, como disse o poeta em seu poema em linha reta.

Aquele que é o espectador do mundo, que vê o filme calado,

E quando as letras sobem, ele desce, cada vez mais

E sai de fininho para casa, em busca da irreal paz.

Vai, Pedro, no mundo, negue mais três vezes,

Até ter a coragem de morrer de cabeça para baixo

E sentir que isso não é nada ante a beleza da causa.

Por algo que valha a pena, a vida é grande, Pedro, há tempo.

Torto o mundo, belo mundo, lugar de reis do mundo, rei mundo

Ávidos por migalhas, sabendo que são trocados por um punhado de farinha

Belos do mundo, seios maternos, leite que sacia, amor que acaricia.

Belo mundo que traz em seu seio Gaia, homens honrados, mas calados.

Enquanto a desonra assola, a covardia do bom homem

se isola num quarto a sete chaves, por medo.

Não enfrentarei o mundo, mas quem disse que o mundo são deles?

Ele é meu e não é utopia, é mais do que o horizonte de Galeano

que se distancia para podermos caminhar.

Mas quantos vêm os próprios passos, em quantos há braços

Capazes de lutar, abraçar, acordar cedo, ir a luta, trabalhar.

Fazer o que é certo e lutar para não cair na teia da facilidade

Essa é a beleza do mundo, rei mundo.

Não ver o cisco, ver a montanha, andar até a montanha

Convencer os covardes que a montanha é menor

que o sonho da gente e que na verdade os covardes são carentes

Presos em um cárcere de mente demente desmente dez mentem

Podem ser um milhão, mas eu sei que estou aqui.

Eu não preciso mentir, eu não preciso correr do desafio

É apenas o rei mundo, um rei sem trono, sem fidalguia

Um rei que é um boneco costurado, fantoche que escolhe lado

Quando o que deveríamos é ser um todo, saindo do lodo

Da hipocrisia, da desconfiança, como um cão em sua ânsia de fome,

Cercando o seu alimento do dia, rosnando e lambendo as botas do seu dono.

Não somos cães, somos homens, podemos ver além.

Cães, macacos, veados, antas, jumentos são sagrados.

E ainda há animais que vê nos homens insultos banais

Quem faz o certo e o errado são os homens que pensam que pensam.

-Anda, vamos ficar calados, sentados,

Assistindo o rei mundo desabar com o mundo

Além da covardia de se omitir, de se calar,

Há quem ache que se colocar de frente no front é insanidade.

Defender o que é bom é enfiar-se pelas cobertas e dormir.

E há quem enfrenta o rei mundo apenas por prata

Herói de mentira no mundo do rei mundo

E furtivamente planeja encher o embornal

com um punhado de pão de ló, Mar, Figueira

“Tive muita dô di num tê nada
pensano qui êsse mundo é tudo tê
mais só dispois di pená pela istrada
beleza na pobreza é qui vim vê”

Não quero dormir o sono covarde, sem paz, sem nobreza.

Sim, Dorival, Marina se pintou, Dilma se maquiou,

Aécio quis avidamente mas o rei mundo ganhou, perdendo.

Tirando a nossa esperança, nos desencorajando.

A nossa? A sua, não minha. Eu sei que há Pessoas no mundo

e eu ouço, quando as pessoas nobres dizem:

“Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida.”

Príncipes de Maq, príncipes do rei mundo, mas há manfredinis

Que mesmo com o bilhete de ida nas mãos, deixam esperança

E é nesse poço que eu bebo água limpa

Não, não choremos, o pássaro trouxe em seu bico um ramo verde.

Os príncipes do rei mundo se calaram ante a coragem do homem

Não haverá mais aquele guia cego, todos saberão onde ir.

“E nossa história não estará pelo avesso, assim
Sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá, vamos viver, temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás, apenas começamos;
O mundo começa agora, apenas começamos.

( Olinto Campos Vieira 16/09/2014)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

SÃO (SEREMOS) TREZENTOS?

Eu quero um País que saiba respeitar suas leis, que tenha um povo que saiba em quem votar, que conheça essa pessoa não apenas pelo que ela mostra nos dias que antecedem um pleito eleitoral. Quero votar em um presidente que honre o seu lugar, que pelo menos saiba que lugar é esse que está ocupando, que não se enfie em picaretagens, pois já houve quem disse que são trezentos picaretas e já houve quem cantasse e não canta mais, :”são trezentos picaretas.” Mas não é esse o problema, o problema é não nos tornarmos trezentos milhões de picaretas. Sim, porque o exemplo que vem de cima induz quem está “abaixo” na escala social a achar que tudo é válido. Que ganhar com pênalti roubado é mais gostoso. Santo, eu? Longe disso. Tenho é medo de o redemoinho ser forte demais e virar um furacão que leva o que tem pela frente. O que tem pela frente somos nós, são nossos filhos, são nossos pais, os que estão aqui e os que não estão mais, o bom exemplo que deixaram para nós. Ninguém, em sã consciência dá um mau conselho para um filho de 10 anos, que roubar é natural, que passar a perna é normal. Mas entre “fazer o que falo e não fazer o que faço” há uma distância a percorrer. Vejo sim os jogos da Seleção Brasileira. Torço, grito e me descabelo ( impossível, né?). Mas tudo por pura brincadeira. Um jogo. Uma competição. Algumas pessoas ficam tão fora de si que vibram quando o outro perde, fora das raias da rivalidade normal. Agora mesmo sinto uma euforia de alguns com a eliminação da seleção espanhola. Felicidade com tristeza alheia, sai de mim... Sei que nos bastidores do futebol tem trezentas mil coisas escusas. Mas não é boicotando algo tão bonito como é o futebol que irei efetivar minha indignação. Futebol é um jogo ímpar. São pessoas que devem estar entrosadas, integradas, falando a mesma linguagem, obedecer normas. Os capitães se cumprimentam respeitosamente. Há jogadas violentas que são punidas com advertência e expulsão imediata. Nunca vi um expulso no futebol permanecer em campo através de habeas corpus ou embargos infringentes. Há um vencedor e quando ele existe, há um perdedor, que mesmo irresignando-se, na grande maioria das vezes se conforma ( raras exceções tricolores). Há empates, como o de ontem, dia 17, o que mostra que não há barreiras intransponíveis e que o “insignificante” e desempregado goleiro do México pode ser o melhor goleiro do mundo. E eu torço que seja mesmo! Lógico, estão tentando e infelizmente, quase conseguindo, transformar o futebol em um produto totalmente diverso do que é. Dinheiro. Mistura-se com a pior política. Dilma é presidente eleita, se dispôs a isso, deveria estar acostumada a correr risco de vaias, isso é quase nada diante das responsabilidades que tem. Mas as ofensas eu repudio. Qualquer uma delas. Seja a quem for. Ofensa é falta de argumentos e temos muito argumentos, todos nós, os trezentos milhões de picare....digo, cidadãos. Quem colocou os políticos no poder fomos nós. Não podemos nos esquecer disso. Li outro dia um acontecido que foi narrado por meu irmão, o grande e querido Tião, que “um dia o Presidente Juscelino Kubitschek levou uma tremenda vaia no auditório da Faculdade de Direito de São Paulo. Por mais de 3 minutos o presidente da república foi vaiado. Juscelino em pé, altivo, com toda dignidade esperou que a vaia terminasse. em seguida, pegou o microfone e assim falou para os mais de 2.000 estudantes presentes: " Feliz é um povo que pode vaiar seu próprio presidente"! Dizem que durante mais de 3 minutos foi aplaudido. Respeito se conquista. Não vem por decreto nem posição de cargo.” O que acho que podemos fazer é saber separar mesmo, o bom do ruim. Hoje em dia a mídia se transformou em um celular, está tudo escancarado. O fato é que não conseguimos enxergar o que era há dez, vinte ou cinquenta anos atrás. Tudo sob as cortinas do obscurantismo. Temos que ter a nossa voz própria e a nossa cabeça feita por nós mesmos, não podemos nunca perder a capacidade de nos indignar, mas não podemos perder a capacidade de abrir o campo de visão, enxergar além, se colocar no lugar de ser capaz de transformar para melhor nosso País. Milton Nascimento diz em uma canção que “ficar de frente para o mar, de costas para o Brasil, não vai fazer deste lugar um bom País.”

COLUNA DO OLINTO, PUBLICADA SEMANALMENTE NO JORNAL REGIONAL DE PARAUAPEBAS

segunda-feira, 26 de maio de 2014

COPA NO BRASIL, FORA DO BRASIL, DENTRO DO BRASIL. FORA DO BRASIL...

 “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo!”. Os times entram em campo para delírio da plateia que canta de emoção, gritando um por um o nome de seus ídolos. É o futebol brasileiro em campo minha gente! De um lado Dilma e de outro Aécio. Na reserva ficam Eduardo Campos e Marina Silva. Assistindo tudo está o povo, aquele mesmo que foi às ruas por causa de que mesmo? Ah, 20 centavos. Me lembro que de 1970 a 1986 vivíamos a ditadura militar. Me lembro direitinho da Copa de 74, do gol de Nelinho, curva fantástica! Gol de Zico contra a Itália, invalidado. “Apesar de você, amanhã há de ser, outro dia”, cantava Chico Buarque. Me lembro de 78, na Argentina, a torcida ferrenha para o Brasil, a vergonhosa goleada (que dizem até hoje que foi comprada) da Argentina no Peru, que tirou a chance dos brasileiros. “Hoje vc é quem manda falou tá falado não tem discussão, não!” Repetia Chico. E a torcida era uma só: “70, 80, 90 milhões em ação, avante Brasil, salve a seleção!” Não foi dessa vez, Geisel, Figueiredo. Em 82 o Brasil começava a vislumbrar um arremedo de democracia, eleitos governadores Tancredo, Arraes, Brizola. Geração de Mário Covas, início do PT. E nada de ganharmos a copa de novo, caramba!. 1982! Um timaço, alguns dizem que foi a melhor seleção de todos os tempos. Na minha cidade, interior de minas, a revolta foi tamanha que houve uma descarga de ira na derrota para a Itália, que nunca vi igual. Algo estava engasgado na garganta do brasileiro, não era apenas o futebol. Não podia ser apenas o futebol. Cada derrota era como se mexesse com os brios do Brasil. Só tínhamos o futebol, como perder para times medíocres? E os prefeitos, os governadores, os deputados? Quem era o presidente da Câmara dos Deputados em 82? Quem era o Presidente da República em 82? Qual era o time do Brasil em 82? Todo mundo sabe... Em 86, cabelos compridos, barba e uma faixa na cabeça, o grande jogador Sócrates foi um dos símbolos da Copa do Mundo. Na partida de estreia da Seleção contra a Espanha, o meia entrou em campo com uma faixa branca amarrada na cabeça , gesto que se repetiu a cada jogo do Brasil, até ser eliminado nas oitavas de final. Essa foi a forma que o jogador encontrou de manifestar suas preocupações. Na primeira vez, a faixa trazia dizeres de apoio ao México, sede da competição, que sofria com os efeitos de um recente terremoto em sua capital. Nas outras partidas, exibia palavras contra a fome, as guerras, o racismo e o imperialismo. Mais uma vez perdemos, ‘dramaticamente’, como se um jogo de futebol nos arrancasse a alma. Quem era o presidente do STF em 1986? Hein? Você que vai boicotar a copa do mundo, sabe? “- Ah, eu nem era nascido!”. 1990, outro fiasco no Brasil, hiperinflação! Só quem viveu, sabe o que foi. Não havia celular, facebook, zap-zap, internet, Steve Jobs. Todo mundo de olho na TV sem controle remoto. Plim, Plim! É agora Brasiiiiil! Não se viu boicote. Nas décadas de 80 e 90 a população se "armava" com calculadoras para checar o real valor do suado dinheiro. No auge dessa hiperinflação, o trabalhador recebia o salário no dia 1º e já corria para o mercado porque sabia que no dia 30 estaria com toda aquela inflação embutida, mesmo que ela não viesse a ocorrer. Desde 1981, o Brasil teve seis moedas diferentes e 16 ministros da Fazenda. Diante da escalada inflacionária, as palavras "recorde" e "histórico" eram frequentes nas manchetes dos jornais. A inflação acumulada no País durante a década de 80 foi de 36.850.000%, como apontou texto de O Estado de S.Paulo da época. A torcida para o Brasil tetracampeão continuava. 1990. Não foi daquela vez, perdemos, e logo para quem? Los Hermanos. Maradona e Cannigia, os grandes vilões do povo Brasileiro, os causadores do mal. A encarnação do Saci Pererê de cinco pernas. O presidente era quem? Essa eu vou entregar: Sarney! Em 94, finalmente a redenção. Brasil Campeão do Mundo! É tetra, é tetra!!! Grita Galvão, chora Pelé, chora Brasil. Sorri Brasil. Chora ou sorri? Quem era o presidente quando o Brasil ganhou a copa de 94? Fala sem ir para o Google! Vou entregar, ele era vice do Collor. 98, jogadores bombados, cheios de estilo, futebol meio diferente. Dinheiro na jogada, Ricardo Teixeira reinando. FHC comandando. Ronaldo amarelando. Vai que é suuuuua, Taffarel! Tem nada não, 2002 vem aí. E veio. Aí o futebol já era mero coadjunvante há muito tempo. O principal era a mídia inrriba. Brasilsão meio pra lá, meio pra cá. Real-mente! “Ganhemo!” “Fumo e busquemo”! Jogadores que dariam vergonha no Sócrates. Milionários, semianalfabetos, carrões turbinados e caros, mansões com fontes iluminadas na sala, orgias, discursos prontos nas coletivas, coçando a nuca. Estilo padronizado: Brinquinho de diamante ( nada contra), tatuagem de Axl Rose, metrossexuais, carecas e cabeludos com tiara, chuteiras coloridas. Um circo sem futebol. Em 2006 e 2010 nós perdemos. Nós? Nós, quem cara pálida? Todos os jogadores brasileiros já eram europeus. Já jogavam bananas neles desde aquela época, como jogam até hoje. Sejam brancos ou negros. O jogador de futebol brasileiro virou uma raça desconhecida tanto no exterior como aqui. Despolitizado, endinheirado e discriminado, “coitadinho”. Agora, só porque a copa é no Brasil, eu vou ficar com pendenga, me servindo de palanque para candidatos que utilizam milimetricamente toda essa lambança para a política partidária? Quem não tem consciência política que procure ter. Durante a copa, vou agir do jeitinho que eu fazia nas outras. Ligo a TV três vezes, uma no começo do jogo, outra no meio e outra no final. E vou torcer para o Brasil. Entendam como quiser! E que o futebol, coragem, a atitude e o estilo de Sócrates, em 1986, sirvam de inspiração para os jogadores. E para o povo. COLUNA DO OLINTO PUBLICADA SEMANALMENTE NO JORNAL REGIONAL DE PARAUAPEBAS

quarta-feira, 21 de maio de 2014

AMIGOS A GENTE ENCONTRA

E eu estava em Padre Paraíso, advogado formado. Boas perspectivas, pois minha cidade sempre confiou em mim; sempre me deram mais créditos do que eu penso que tenho. Mas eu sentia que precisava voar, mostrar pra mim mesmo que as minhas asas não eram de brinquedo, que eu podia alçar vôo. Não para alcançar riqueza, nunca sonhei isso para mim. E não tenham isso como mediocridade e sim como aquele sonho de menino ( como diz a música do Paulinho Pedra Azul: " quando era menino eu via a lua saindo, pensava aqui comigo, um dia eu vou lá"; sempre quis o suficiente. Vc sabe quando precisa respirar novos ares, ter novas experiências, mesmo sabendo que suas raízes estão firmemente plantadas; isto não lhe tira suas origens, elas permanecem no coração, no convívio geograficamente distante. Sempre disse que não tenho saudade de minha terra pois eu nunca saí. Mesmo. Os meus melhores amigos continuam meus melhores amigos. Amizade de 40 anos, que é isso?! Que dinheiro compra? Que bom sentir isso. E quando me preparei para vir para Parauapebas, lembro-me direitinho, despedi-me aos poucos, não fiz alardes. No dia da "despedida", formou-se uma pequena fila de cinco pessoas na porta da minha casa, a mesma que eu cresci e vivi durante anos e anos. Cheia de lembranças. Estavam meu pai, que despedi com um até logo meio sem graça e pedi a benção, minha mãe, minha amiga e confidente, que despedi com um até logo, também pedindo a benção, segurando as lágrimas e meu irmão Samarone. Dos outros, Jeffson Campos Vieira, o Gera, Lincoln Campos Vieira e Sebastião Vieiraeu ja tinha me despedido. Assim como ja havia me despedido de meus primos Raimundo Luiz e Toninhodebaiano Vieiradutra em especial, e minha avó, que beirava os 100 anos ( morreu com 104). Minha avó era muito ligada comigo, eu trago o nome do seu esposo, meu avô Olinto Vieira, homem de bom caráter, que tenho feito o possível para honrar um décimo do homem digno e de moral que ele foi. Quem me levou até Belo Horizonte foi Bertinho do DNER, acho que ele nem se lembra disso. Saímos, era de tarde e eu iria pegar o vôo pela manhã em Belo Horizonte. Estrada de 600 e poucos quilômetros. Assim que o carro fez a curva da saída da cidade eu não consegui segurar o choro conpulsivo. Fiquei com vergonha de Bertinho, mas ele, pelo silêncio que fez, sei que me entendeu. Esta história não seria possível se não fosse o convite de Wellington Valente e Bel Mesquita. E na minha cabeça, uma música:
"Amigos a gente encontra
O mundo não é só aqui
Repare naquela estrada
Que distância nos levará
As coisas que eu tenho aqui
Na certa terei por lá
Segredos de um caminhão
Fronteiras por desvendar
Não diga que eu me perdi
Não mande me procurar
Cidades que eu nunca vi
São casas de braços a me agasalhar
Passar como passam os dias
Se o calendário acabar
Eu faço contar o tempo outra vez, sim
Tudo outra vez a passar
Não diga que eu fiquei sozinho
Não mande alguém me acompanhar
Repare, a multidão precisa
De alguém mais alto a lhe guiar
Quem me levará sou eu
QUEM REGRESSARÁ SOU EU
Não diga que eu não levo a Guia
De quem souber me amar"

Coluna do olinto semanalmente no JORNAL REGIONAL DE PARAUAPEBAS
olinto.vieira@gmail.com

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O DATENA FALOU, O BONNER AVISOU

As notícias nacionais e locais fazem visíveis as veias abertas da criminalidade, mostrando que, infelizmente, vivemos em clima de insegurança mundial. Lá fora o terrorismo e a intransigência política e religiosa fazem vítimas,  pessoas inocentes que trafegam pelas ruas dos grandes centros mundiais. Nova York, Madri, Londres, nenhum lugar está tranquilo. Aqui no Brasil, o País da Paz e do Amor! – lincha-se primeiro para perguntar “será que era essa mesmo?” depois! Quer pior terrorismo do que este? Que mundo é esse que vivemos, onde nada mais nos surpreende?! Ou somente surpreende por alguns minutos e a gente vai ali e come um sanduíche com bastaaaaante catchup e ta tudo bem. Quando pensamos que há tragédias demais acontecendo, o homem nos arrebata com situações mirabolantes, maleficamente criativas, difíceis de acreditar. Assaltos  e linchamentos à luz do dia nos dá um sinal de que devemos estar atentos o tempo todo. A garota que morreu por causa de um telefone celular é um retrato do tostão furado que virou a vida humana para alguns espécimes de gente. Foi morta por um menor que antes de aprender a lidar com lápis e caderno, soube lidar habilmente com uma arma de fogo. Suficientemente hábil a ponto de tirar a vida de uma jovem com uma vida inteira pela frente. O homicida, menor de idade,  é considerado pela lei penal brasileira como “incapaz de compreender o ato que cometeu”. Independente desse barulho, há  um imenso estrago produzido na família da jovem que morreu e o temor de todos nós, rezando para não sermos as próximas vítimas. Aliás, morrer pelas mãos de criança ou de adulto faz muito pouca diferença. Mentalidades criminosas como essas são perigosíssimas; até mais que os ditos bandidos da motocicleta, que agem de forma sorrateira, leviana e dissimulada, impunes para sempre, infelizmente. Mas há um fio invisível que liga todos esses meliantes em uma só estação. A televisão, o falso moralismo de algumas altas cortes com o crédito em queda desabalada,  as incitações de vingança, a exposição de fatos específicos e a cara da indignação do apresentador que vocifera: “bandidos, bandidos, tinham que ser queimados vivos! Mas na verdade e bem no fundo, eles querem a violência e mais do que isso, precisam da violência para viver! Cheiram azar de tudo o quanto é jeito! E incutem na cabeça dos manipulados que a culpa é do “bucéfalo anácrono” ladrão de galinhas, quando na realidade a solução está e sempre esteve nãos mãos dos manipulados, que acham que tudo era apenas por 20 centavos, mas isso é outra história. Datena e Bonner, qual a diferença?

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Não sabemos do próximo segundo

E estava eu tranquilo no carro, mesmo com o trânsito estafante, calor insuportável apesar do ar condicionado ligado ao máximo, ouvindo um disco de bossa nova antigo de Tom e Elis que ganhei de uma atriz amiga e fumando dentro do carro fechado. Deixei para trás o pensamento de que um dia largaria o cigarro; rendi-me a ele, meu companheiro de solidão, de desabafo do stress. Eu estava cansado após mais um dia de trabalho, mas satisfeito pelas tarefas cumpridas. Uma manhã de gravação, uma tarde de roteiro escrito e já editado, de uma peça que quero dirigir ainda este ano. Recebi dois convites para trabalhos novos e um convite para participação em um filme norte americano meio cult, com direção do Tarantino. Como as pessoas gostam de ser “Cult”. Tarantino já deixou de ser  a muito tempo, mas volta e meia vem com seus alternativos. Gosto muito do underground, apesar de ser tão popular; olha só: sertão popular! Rio de mim mesmo. As vezes nem lembro que sou cearense, apesar de adorar o Ceará. Virei cidadão do mundo., que coisa impressionante! Aliás, nunca soube porque sou tão popular. Claro que fiz papéis que o povo se identificou, mas não foi minha intenção buscar os olhares do povo, apesar de me sentir do povo. AAi! Queimei minha mão com a brasa do cigarro! Agora sim, um dia ainda largo essa coisa! Preciso caminhar, ir para uma academia, já não sou mais menino, aliás, já estou chegando aos setenta. Meu Deus! Setenta! Nunca pensei que essa idade chegaria para mim. Mas ainda não chegou e me lembro da música dos Beatles, onde Paul, com vinte e poucos anos canta “When I’m sixty-four”. Ele pergunta assim na música, como é mesmo?: “Quando eu ficar mais velho, Perdendo meu cabelo Muitos anos adiante, Você ainda irá me mandar presentes no dia dos namorados? Saudações no aniversário, garrafa de vinho?” Eu escutei esta música quando foi lançada e hoje tenho mais de sessenta e quatro; perdendo os cabelos, ficando sem fôlego, tossindo, pagando uma fortuna de plano de saúde. Mas, puxa vida, não me sinto velho, estou no meu auge de criatividade. Cadê o cigarro, deixei aqui no porta luvas! Puxa! Deixei o pacote no bagageiro! Como vou parar o carro neste engarrafamento? Comprei uma esteira mas não aguento dez minutos, o peito arde de dor. É o cigarro, que não me larga! Acendo mais um e aceno para os fãs que me reconhecem mesmo com o vidro do carro escuro e fechado. So tem mais um cigarro e falta mais quarenta minutos para chegar em casa. Vou aproveitar o sinal fechado e pegar o cigarro lá atrás. Não, olha ali um cara vendendo água, vou comprar aquele maço de cigarros dele. Abaixo o vidro e grito: “Ei, você!!” –Quem, eu? Sim, me dá uma água e essa sua carteira de cigarros que ta pela metade aí no seu bolso. Toma aqui cinquentinha.” – “Cinquenta conto? Demorô, dotô!! Ei vc não é aquele cara, o Roque Santeiro?” “–Que Roque santeiro, p.!” respondi sorrindo e o vendedor saiu correndo com a nota novinha que eu tinha tirado no Projac pela manhã. Putz, agora que eu comprei esse cigarro fedido e caro o trânsito anda.... Doido para chegar em casa e tomar um banho! Pronto, ainda bem que o estacionamento do meu prédio é enorme, tenho três vagas, para não me estressar. Que tosse! Nem sei se vou sair hoje, acho que vou ouvir este CD da Elis mais umas duas vezes, pedir um delivery qualquer e dormir cedo. Oba! ninguém no elevador para encher o saco com meu cigarro! A empregada já foi embora e o apartamento está limpinho, vou procurar meu roupão branco que pedi para ela deixar em cima da cama. Que isso??? Que tontura é essa?! parece que tô desligando! The End!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

ADVOCACIA

Todos merecem defesa, seja qual for o crime, seja qual a cor, seja qual for a situação, seja qual time que torce. Nos porões das penitenciárias existem hoje pessoas arrependidas que tem o caráter atrofiado pelo inferno que é a falta de liberdade e a companhia dos que não sabem viver outra vida, em um sub-mundo, um mundo paralelo, inimaginável para a maioria das pessoas ditas normais, que em alguns casos, padecem de vícios, por vezes muito maiores que os que alí estão. Fui criminalista na essência, ainda está dentro de mim e revivi todo esta minha vocação ontem. Me formei em 1994, então, estarei fazendo este ano, 20 anos de advocacia. Com muita honra, na turma de 1994, de ilustres profissionais, como Rosane Magalhaes, Batista João, Abner Guedes, Elcimar Almeida de Paula, Elindomar Alves, Neilando Pimenta, Tercia Rodrigues Vieira Vieira, Patrícia e Ingrid Guedes Barrack, João Marcos Zimerer , que nos deixou ainda no primeiro ano. Tive ilustres professores. Tive a honra de ter estagiado por tres anos com Wander Lister Carvalho Sá, um dos maiores mestres em advocacia e humanidade que ja conheci. Sim, me lembro que ha treze anos atrás, fiz um Juri em santana do Araguaia que concluiu as 2 da madrugada e no final, um dos policiais se dirigiu a mim, com lágrima nos olhos dizendo: Doutor, hoje eu descobri minha vocação, serei advogado do Tribunal do Juri.